Citação a Toffoli em delação provoca mal-estar entre Janot e STF

Suspensão de depoimento da OAS pela PGR foi vista como ato político

O vazamento de informações na delação premiada de Léo Pinheiro que envolvem o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), estão provocando uma crise entre a Suprema Corte e o Ministério Público Federal (MPF), de acordo com informações da coluna de Monia Bergamo, na Folha de S.Paulo desta terça-feira (23). Os magistrados estão diante de "algo mórbido que merece a mais veemente resposta", disse o ministro Gilmar Mendes.

Segundo Mendes, os investigadores induzem os delatores a dar a resposta desejada. "Não é de se excluir que isso (citação a Toffoli pela OAS) esteja num contexto em que os próprios investigadores tentam induzir os delatores a darem a resposta desejada ou almejada contra pessoas que, no entendimento deles, estejam contrariando seus interesses", disse à coluna.

Nesta segunda-feira (22), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou a suspensão das negociações do acordo de delação premiada de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, e de outros executivos da empreiteira. Janot e outros investigados teriam se incomodado com o vazamento dos assuntos tratados no pré-acordo da delação. É a primeira vez que o procurador-geral determina a suspensão de um acordo de delação desde o início da Lava-Jato, em 2014.

O Ministério Público Federal (MPF) acredita que houve quebra de confidencialidade, uma das cláusulas do pré-acordo feito há duas semanas. Entre os procuradores, porém, a decisão de Janot em relação à delação de Pinheiro é vista como um ato político. Se não agisse para para evitar que a Lava Jato atinja ministros, Janot estaria comprando uma briga grande com o STF.

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