'Le Monde' homenageia comunidade nipônica do Brasil

Matéria de seis páginas na revista do jornal francês conta com entrevista de Ruy Otake

A revista do jornal Le Monde deste sábado (23) publicou uma grande matéria intitulada  o “outro país do sol nascente”, onde fala sobre a presença dos descendentes de japoneses no Brasil, a maior comunidade nipônica fora do Japão. O texto faz parte de uma série de matérias que precedem os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e começa com uma entrevista de Ruy Ohtake, apontado como “um dos arquitetos mais famosos da capital econômica do Brasil” e responsável pelo hotel Unique, “um dos ícones da arquitetura de São Paulo”. A cidade, aliás, é apresentada como uma “Nova York sul-americana”, com seu parque do Ibirapuera com ares de Central Park. Aproximadamente 600 mil nikkei, brasileiros de origem nipônica escolheram São Paulo para viver, mas estima-se que no Brasil a comunidade nipônica chegue a dois milhões. 

> > Le Monde Sao Paulo, terre d’immigration japonaise

O texto conta como foi a chegada da comunidade no Brasil, no início do século passado, quando, após a abolição da escravidão, em 1888, o país precisava de mão-de-obra para trabalhar nas plantações de café. A reportagem explica que os primeiros a cumprir esse papel foram os italianos, acolhidos “para branquear, sem vergonha, a população”. Mas diante das péssimas condições oferecidas a esses imigrantes, Roma interrompeu o processo, abrindo as portas para os japoneses, “que fugiam da miséria no Japão”, como ressalta o professor da Universidade de São Paulo (USP), Koichi Mori, entrevistado pela revista do Le Monde.

A reportagem explica que os primeiros japoneses no Brasil praticamente não se misturavam com os brasileiros, “mantendo um culto nostálgico do país do sol nascente” para o qual pensavam em voltar um dia. Mas a situação mudou após a Segunda Guerra Mundial, quando esses imigrantes, acompanhados de uma nova leva que deixou o Japão destruído pelo conflito, entenderam que deveriam se integrar. A partir de 1958, o número de casais bi-nacionais explodiu, e passou de 13% a 46%, segundo o professor Mori.

“Cinco gerações mais tarde, os nikkei estão perfeitamente integrados em São Paulo. A ponto de constituírem uma das forças vivas da metrópole de 20 milhões de habitantes”, comenta a revista.

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