Ex-ministro dos governos Lula e Dilma, Paulo Bernardo foi preso na manhã desta quinta-feira (23) em uma operação da Polícia Federal realizada após desdobramento da Lava Jato. Ele foi detido em Brasília, no apartamento funcional da mulher, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). A casa dos dois, em Curitiba, também foi alvo de buscas ao longo de duas horas. A prisão dele é preventiva, e ele deve ser encaminhado à sede da PF em São Paulo.
O ex-ministro da Previdência e da Secretaria da Aviação Civil Carlos Gabas, e o jornalista Leonardo Attuch, dono do portal de notícias Brasil 247, foram chamados a prestar depoimento. A residência de Gabas em Brasília foi alvo de busca e apreensão.
O secretário municipal de Gestão de São Paulo, Valter Correia, que foi assessor de Bernardo no ministério, também foi detido e sua casa foi alvo de busca e apreensão.
Há um mandado de prisão preventiva para o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que está preso desde 2015, contra outro ex-tesoureiro da legenda, Paulo Ferreira, marido da ex-ministra do Desenvolvimento Social no governo Dilma, Tereza Campelo, e contra o advogado Guilherme de Salles Gonçalves, que participou da campanha da senadora Gleisi Hoffmann para o Senado, em 2010, e à prefeitura de Curitiba, em 2008. Ele não foi detido porque está no exterior, de acordo com a Polícia Federal.
O advogado do ex-ministro Paulo Bernardo, Rodrigo Mudrovitsch, confirmou a prisão preventiva e afirmou não ver motivo para que seu cliente fosse preso. "A prisão não se justifica. O meu cliente não ocupa mais nenhuma função e sempre se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.”
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) se manifestou por meio de sua conta no Twitter sobre a prisão do ex-ministro: "Não serei eu a defender Paulo Bernardo, mas sua prisão desnecessária destina-se a constranger a defesa da soberania do Brasil no impeachment."
Paulo Bernardo foi ministro do Planejamento do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre março de 2005 e janeiro de 2011. No governo da presidenta afastada Dilma Rousseff, ele passou a comandar a pasta das Comunicações, onde ficou até janeiro de 2015.
A Custo Brasil é um desdobramento da Operação Lava Jato. São 11 mandados de prisão preventiva, 40 de busca e apreensão e 14 de condução coercitiva nos estados de São Paulo, do Paraná, Rio Grande do Sul, de Pernambuco e no Distrito Federal, todos expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal em São Paulo. As ações são feitas de forma conjunta com o Ministério Público Federal e a Receita Federal.
O objetivo é apurar o pagamento de propina, proveniente de contratos de prestação de serviços de informática, no valor de R$ 100 milhões, entre 2010 e 2015, a pessoas ligadas a funcionários públicos e agentes públicos no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Os crimes investigados são de tráfico de influência, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com penas de 2 a 12 anos.
A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão desde as 6h na sede do Partido dos Trabalhadores (PT), na capital paulista. Por volta das 8h30, a equipe de policiais continuava no interior do prédio, na Rua Silveira Martins, região central. Oito homens armados do Grupo de Pronta Intervenção da Polícia Federal faziam a segurança na parte de fora da sede do PT, auxiliados por policiais militares.
* Com Agência Brasil