A revista Época publica reportagem nesta quarta-feira (16) afirmando que documentos apreendidos em operação da Polícia Federal em 2007 revelam que Norbert Muller abriu contas bancárias no LGT Bank, sediado no principado de Liechtenstein, para o tucano Aécio Neves. O principado seria o mais fechado de todos os paraísos fiscais do mundo, segundo a revista.
Época diz que teve acesso aos documentos apreendidos pela operação, e afirma que em uma das pastas encontradas na casa do doleiro constava uma etiquetada por “Bogart e Taylor”. Estes seriam os nomes escolhidos por Inês Maria Neves Faria, mãe e sócia do senador mineiro, então presidente da Câmara dos Deputados, para batizar a fundação que, a partir de maio de 2001, administraria o dinheiro da conta secreta 0027.277 no LGT.
>> Veja aqui a reportagem na íntegra
O senador Delcídio do Amaral citou a conta em sua delação, divulgada na terça-feira (15), e está sendo investigada pela PGR na Lava Jato. Na época da operação da Polícia Federal, o Ministério Publico arquivou o caso sem apurá-lo.
A assessoria do senador Aécio Neves enviou nota à redação do JB a respeito da reportagem. Veja a nota:
AO JORNAL DO BRASIL
A reportagem publicada pela revista Época de hoje traz informações já disponibilizadas a diferentes veículos de imprensa nos últimos dois anos. São documentos que constam do processo de investigação realizada pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, em 2010, arquivado pela Justiça a pedido do MPF, após a constatação da inexistência de qualquer irregularidade. Tais notícias já foram amplamente disseminadas nas redes sociais por iniciativa de blogs e deputados do PT nos últimos anos.
A fundação mencionada na reportagem da revista Época é uma atividade particular da mãe do senador Aécio Neves que, em 2001, casada durante quase 30 anos com um banqueiro, planejou constituir uma fundação no exterior com recursos da venda de imóveis no Brasil.
Para isso contatou o senhor Norbert Muller, pessoa de relacionamento de seu marido e que havia sido durante muitos anos representante de instituição financeira internacional oficial no Brasil.
Ela assinou os primeiros documentos, seu marido adoeceu e o projeto foi suspenso. Em 2007, com o agravamento do estado de saúde dele, que veio a falecer no ano seguinte, ela encerrou definitivamente o projeto.
Durante os seis anos em que o projeto ficou suspenso, foram pagos ao Sr. Muller, no Brasil, em real, o total correspondente a cerca de 30 mil dólares que o Sr. Muller transferiu para uma conta no exterior.
Todo o conjunto de documentos fornecidos à Justiça e ao MPF do Rio de Janeiro demonstra que esse valor corresponde à totalidade de recursos depositados na conta e que a mesma nunca foi movimentada, tendo o saldo sido utilizado apenas para pagamento de taxas e honorários do Sr. Muller.
Assim que ela tomou conhecimento da existência da conta, buscou orientação de um advogado e a declarou no Imposto de Renda.
No ano passado, pessoas ligadas ao PT encaminharam notícias da internet para a Procuradoria Geral da República pedindo que o assunto fosse de novo investigado. A PGR concluiu também pelo arquivamento.
Em resumo, trata-se de notícia antiga, amplamente conhecida e duas vezes investigada e arquivada pelo MPF do Rio de Janeiro e pela PGR.
Assessoria de Imprensa do Senador Aécio Neves