O perfil do público que participou das manifestações contra a presidente Dilma Rousseff no domingo (13), na Avenida Paulista, mostra que a rejeição ao atual governo se concentra em pessoas de alta renda. De acordo com levantamento do Datafolha, metade dos entrevistados afirmou que tem renda entre cinco e 20 salários mínimos. E 77% possuíam curso superior.
Ainda segundo a pesquisa, 77% dos manifestantes declararam que são da cor branca. Apesar do crescimento do tamanho do protesto contra Dilma, o perfil dos manifestantes se manteve elitizado.
Analistas fazem uma avaliação ainda mais apurada. Eles sinalizam que a manifestação era basicamente de ricos.
Um sinal sintomático deste perfil foi, segundo analistas, a participação do tucano Aécio Neves no protesto.
Por volta das 10 horas da manhã de domingo, Aécio, que mora na Avenida Vieira Souto, no Rio de Janeiro, estava na passeata em Belo Horizonte.
No início da tarde, ele marcou presença ao lado do governador Geraldo Alckmin na manifestação de São Paulo. "Ele só pode ter se deslocado de avião. Seria o avião de algum inimigo?", questionavam observadores dos protestos.
O carro de som que circulou pela orla do Rio de Janeiro durante o protesto, com a faixa "Fora comunismo", também chamou a atenção. Ao comentar que Aécio Neves foi hostilizado por manifestantes, e citar a presença com destaque desta faixa, observadores analisavam:
"Se esses manifestantes rejeitam o atual governo e também não apoiam Aécio Neves, e ainda se eles exibem repúdio ao comunismo, muitos devem na verdade ser eleitores de Jair Bolsonaro."