Chico Alencar: 'Os argumentos de Eduardo Cunha dão anistia a todos os réus'

Líder do movimento que representou contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Conselho de Ética da Câmara, o deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ) analisou, para o Jornal do Brasil, os argumentos do presidente da Casa para tentar se defender contra as acusações de lavagem de dinheiro e corrupção passiva por manter contas secretas na Suíça com dinheiro ilícito desviado da Petrobras.

Para o parlamentar do Psol, o comportamento de Eduardo Cunha, em entrevistas concedidas a diversos veículos nesta sexta-feira (6), é um comportamento de autodefesa muito primário e infantil.

"Só quem entende da ecologia humana pode dar uma resposta mais adequada a isso, mas é costumeiro o infrator negar até mesmo quando há um flagrante delito. A (ex-deputada) Jaqueline Roriz, quando foi flagrada recebendo dinheiro e colocando na bolsa, deve ter dito que não tinha nada a ver com a propina. Isso é um comportamento de autodefesa, muito primário, muito infantil. É como o menino que rouba o doce na geladeira e diz para a mãe que não comeu, mesmo estando com a cara toda marcada de doce", comparou Chico Alencar.

O líder da bancada do Psol na Câmara disse, ainda, considerar estranhas as tentativas do deputado para obter uma absolvição da opinião pública diante de tantas evidências e pelo fato de Cunha ser, como presidente da Casa que legisla, um grande conhecedor da Legislação brasileira. Para Chico, a demora para apresentar uma defesa desde quando surgiram as denúncias sinaliza para a fragilidade das respostas.

"Os argumentos dele dão anistia a todos réus, é só ter um bom advogado. A estratégia de defesa é primeiro negar para não ser réu confesso e, depois, armar uma versão. É estranho como ele demorou para falar sobre assunto. E ele pode ter êxito no Conselho de Ética por conta do julgamento político, “ah, de fato, era só um trust”, dirão alguns que vão tentar defendê-lo, mas aquilo é seu dinheiro, suas contas, seu ativo", afirmou o deputado.

O parlamentar do Psol disse, ainda, que, pelas entrevistas, "a barreira do cinismo (de Cunha) começa a mostrar alguma fissura", já que ele admitiu que talvez possa se arrepender por não ter declarado alguma conta, mas que "a estratégia do direito, que é não assumir a culpa, junto com a psicologia humana de negar as evidências cola no mundo da política". "O Maluf (procurado pela Interpol) não pode viajar para o exterior, mas aqui ele é deputado federal, é a República da impunidade", comparou Chico Alencar.

Eduardo Cunha já foi duas vezes denunciado recentemente no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Procuradoria-Geral da República, que recebeu informações da Procuradoria suíça sobre a existência de contas secretas em nome do presidente da Câmara e que têm como beneficiários sua mulher, Cláudia Cruz, e sua filha Danielle.

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