Nardes se compara a Joaquim Barbosa, que rejeita ministros do TCU

O relator das contas de 2014 do governo federal no Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, comparou nesta quarta-feira (7) seu esforço ao do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa.

"De certa forma, vou dizer de uma palavra, não sei se vou seguir o mesmo caminho, é bem provável que não, agora, eu entendo porque o Joaquim Barbosa se aposentou. O momento é muito tenso e eu estaria muito triste se tivesse evitado que o tribunal julgasse. Seria um gesto contra democracia, não contra mim", disse Nardes, logo após julgamento que condenou as contas do governo pela prática das "pedaladas fiscais", à "Folha de S.Paulo".

A composição do TCU, feita por indicação política - o próprio Nardes é oriundo do Parlamento -, já havia sido rechaçada por Joaquim Barbosa, no final de agosto. Para o ex-ministro, o TCU é "um playground de políticos fracassados".

"Não acredito no Tribunal de Contas da União como um órgão desencadeador como um órgão sério desencadeador de um processo de tal gravidade, o Tribunal de Contas é um playground de políticos fracassados", disse Barbosa, no 7º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, evento organizado pela BM&FBovespa, em Campos de Jordão.

Pelo argumento do ex-ministro, alguns políticos que não têm a expectativa de se eleger buscam uma posição na Corte de Contas. "Uma coisa é eu dizer que sim, que é viável juridicamente uma pedalada fiscal conduzir ao impeachment de um presidente da República regularmente eleito. Outra coisa é eu saber como realmente funcionam as instituições e acreditar nisso", afirmou.

Barbosa alertou que um impeachment só deve ser levado adiante a partir de provas "incontestáveis", porque as consequências do movimento representam um "abalo sísmico" para as instituições do país.

Por Eduardo Miranda