Dilma diz que decisão do TCU sobre contas é 'página virada'

Jaques Wagner afirma que presidente pediu unidade na equipe e atuação junto às bancadas

A presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira que a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), recomendando ao Congresso a rejeição das contas referentes a 2014, é "página virada". A declaração é do novo ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, que participou da reunião ministerial convocada pela presidente, a primeira depois da reforma administrativa que cortou oito ministérios e remanejou o comando de várias pastas.

Jaques Wagner  explicou que o governo vai fazer a "batalha" no Congresso Nacional, que é o responsável por decidir se as contas serão aprovadas ou rejeitadas. "A presidenta é uma guerreira. Ela opera muito bem nas dificuldades. Evidentemente que a gente preferia a análise feita pelo TCU culminando de outra forma. Mas ela encarou com respeito a decisão do TCU e entende que esta é uma página virada. E vamos fazer a batalha no julgamento que será feito pelo Congresso Nacional”, disse o ministro.

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Wagner enfatizou que a análise do TCU foi técnica, enquanto no Congresso Nacional será política. Segundo ele, o fato de o tribunal sugerir ao Legislativo a rejeição das contas não serve de base para eventual processo de impeachment da presidente.

“Processo de impeachment cada um pode propor o que quiser. Não vejo como elemento de prova um parecer que sequer foi votado", acrescentou.

O chefe da Casa Civil acha que fatos ocorridos antes de janeiro de 2015 não podem servir de base para o impeachment. "O impeachment não pode ser usado como ferramenta política", acrescentou.

Segundo ele, a presidente também pediu unidade aos ministros que tomaram posse no início desta semana para que atuem junto às bancadas de seus partidos no Congresso Nacional na defesa do governo. Após a recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) pela rejeição das contas de Dilma no ano passado, o foco é a Comissão Mista de Orçamento do Congresso, responsável pela análise, em primeira instância, do parecer da Corte.

De acordo com o chefe da Casa Civil, a reunião ministerial desta quinta-feira demonstrou a postura de unidade entre os ministros e em toda a equipe de Dilma. Os ministros da Advocacia-Geral da União, Luís Inácio Adams, e do Planejamento, Orçamento e Gestão, Nelson Barbosa, expuseram os argumentos usados ontem (7) pelo governo durante o julgamento das contas no TCU. O objetivo foi "homogeneizar a informação" para que todos os ministros trabalhem com os parlamentares de seus partidos.

Wagner classificou de "acomodação do processo da reforma" as consecutivas faltas de quórum no Congresso para a votação dos vetos presidenciais, nesta semana. Sobre a questão, o ministro disse que a orientação do Palácio do Planalto é que os ministros busquem unidade com a base aliada, visto que há uma "pauta pesada" de votações à frente. "A preocupação é estar sempre atento aos movimentos da oposição tem, que podem acontecer a qualquer momento".

A reunião da presidente Dilma Rousseff com os ministros, no Palácio do Planalto, durou cerca de duas horas.

Dos 31 ministros, quatro não compareceram porque estão em viagem oficial ou de férias. Joaquim Levy (Fazenda), Alexandre Tombini (Banco Central) e Kátia Abreu (Agricultura) estão em viagem oficial ao exterior, e Izabella Teixeira (Meio Ambiente) está em férias.

Desta vez, a presidente não fez o tradicional discurso de abertura.