Banco suíço informa que Cunha tem US$ 2,4 mi aplicados

No total são quatro contas na instituição em nome de empresas offshore

O Banco Julius Baer informou às autoridades suíças, que há quatro contas abertas na instituição em nome de empresas off shore (firmas de fachada baseadas em paraísos fiscais) ligadas ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), a sua mulher, a jornalista Cláudia Cordeiro Cruz, e uma das filhas do deputado. Uma das contas foi aberta em 2008. 

Segundo o jornal "Folha de S. Paulo", o valor aplicado em fundos de investimentos é de US$ 2,4 milhões (R$ 9,3 milhões) e está bloqueado desde abril.

O dinheiro não aparece no imposto de renda do peemedebista, que nega ter contas no exterior. O valor é também menor do que mencionado pelo delator Julio Camargo, que afirmou ter pagado propina de US$ 5 milhões em um contrato de navios-sondas para a Petrobras

Segundo a “Folha” ainda não está claro se era o próprio deputado que movimentava as contas ou se isso ocorria por meio dos procuradores.

O Julius Baer foi um dos bancos por onde foi escoada parte dos desvios da Petrobras. Dois executivos da diretoria Internacional da estatal, o ex-diretor Jorge zelada e o ex- gerente Eduardo Musa mantinham contas secretas na instituição.

Todas as informações das contas foram enviadas à Procuradoria-Geral da República no final da tarde desta quarta (7), por malote diplomático, evitando o caminho habitual de cooperação.

Ao alertar os procuradores sobre as contas atribuídas a Cunha, o Julius Baer cumpriu uma lei suíça que obriga os bancos não só a identificar o beneficiário final de toda conta secreta em nome de empresas offshore, como a reportar às autoridades movimentações de clientes que possam ter origem ilegal.

A análise dos dados bancários vai determinar se as evidências serão anexadas a um dos inquéritos que correm no Supremo Tribunal Federal contra Cunha ou se haverá a abertura de nova investigação sobre evasão de divisas.

Em depoimento de delação premiada, o ex- executivo da diretoria Internacional da Petrobras Eduardo Musa afirmou que Cunha tinha a palavra final na indicação de nomes para a diretoria Internacional, que era controlada pelo PMDB.

Em agosto, Cunha foi acusado por corrupção e lavagem de dinheiro em caso relacionado ao esquema de corrupção na Petrobras, mas o STF ainda não decidiu se acolhe a denúncia.

Na semana passada, Cunha reiterou, por meio de nota, seu depoimento à CPI da Petrobras, no qual negou ter conta no exterior, e reafirmou que as denúncias divulgadas a seu respeito são "seletivas".

Por Denise de Almeida