Movimentos e políticos avaliam postura de FHC: 'o que não tem que ser salvo' 

Um comentário feito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em seu perfil no Facebook, no último fim de semana, suscitou uma reflexão mais profunda dos movimentos sociais e da classe política acerca dos possíveis reflexos na sociedade de uma ausência de pacto partidário em apoio ao governo. FHC, dias após se colocar à disposição para dialogar com a Presidência e com o ex-presidente Lula, mudou a versão e afirmou pelas redes sociais que 'qualquer conversa não pública com o governo pareceria conchavo na tentativa de salvar o que não deve ser salvo'.

"É lamentável que se pronuncie [se referindo a Fernando Henrique Cardoso] desta forma", conceitua o deputado federal Wadih Damous (PT/RJ). Antes mesmo de avaliar os efeitos da declaração de FHC, Damous ressalta que em nenhum momento o governo acenou por um pedido de ajuda ao ex-presidente. "Ele [FHC] se colocou como figura mesquinha. Um ex-presidente que, independente do partido, se recusa a conversar com o atual mandatário do país, para um possível pacto de governabilidade, demonstra que não está à altura das necessidades do povo", disse o parlamentar.

Damous observou que FHC ainda vem demonstrando uma postura de "ambiguidade" na sua relação com o governo, mudando de opinião "a cada hora". Na opinião do parlamentar, o diálogo é sempre importante, mas não "crucial" como medida para tirar o país de uma crise. "Tem que haver sim uma política econômica, respeito à Constituição. Isso sim supera a crise", analisa o deputado.

O grande desafio do Brasil na atual conjuntura, na visão da presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, é conseguir uma estabilidade política capaz de manter o mesmo rítmo de crescimento que tirou o país da miséria. Vitral diz que para a UNE, ficou muito evidente a escolha do eleitorado brasileiro pela manutenção de um projeto que mudou a vida da população. "Os movimentos sociais vão cobrar o programa eleito pra governar o país, mas isso não significa e nem tem nenhuma relação com derrubar um governo legitimamente eleito, pelo contrário, é dar apoio para os avanços continuarem", salienta. 

A líder do movimento também não viu com bons olhos a declaração de FHC no Facebook e concluiu - "falta ao Brasil uma postura mais republicana". Vitral acredita que a postura de FHC, assim como também do senador Aécio Neves (PSDB/MG), tenta "aglutinar o que há de mais conservador para derrotar o governo". No entanto, ela ressalta que o país precisa de um diálogo que a presidenta Dilma ou mesmo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estejam tentando travar em favor dos melhores rumos para o país.  

"Ao mesmo tempo que a UNE, de forma crítica, sinaliza para o governo que o melhor caminho para sair da crise não é o corte na educação, a gente também não vai marchar ao lado de quem levantar uma bandeira do golpe militar ou qualquer outra que, de forma oportunista, tenta jogar na instabilidade, que não ajuda em quem quer ver o Brasil avançar", avalia a líder estudantil. 

Vitral adiantou que a UNE está agendando para o dia 20 de agosto um grande encontro com os outros movimentos, tendo como pauta a enumeração de pontos críticos às medidas de ajuste fiscal, mas através de um projeto que levanta a bandeira da democracia. "A gente ainda quer denunciar essa tentativa de golpismo que rivaliza com o governo, vinda da direita e até de uma parcela da mídia. Isso que estão comentando não é impeachment, mas golpe", destaca.