Deputados do PMDB e PSOL comentam pedidos de acareação de Cunha em CPI

Presidente da Câmara disse que aceita desde que Dilma e ministros Mercadante e Edinho compareçam

Deputados comentaram nesta terça-feira (21/07) a declaração do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de que aceita fazer uma acareação com Julio Camargo, ex-consultor da Toyo Setal e delator da Lava Jato, desde que a presidenta Dilma Rousseff também compareça. Segundo Camargo, Cunha teria recebido US$ 5 milhões em propinas. 

O presidente da Câmara diz que Dilma Rousseff deveria fazer uma acareação com o doleiro Alberto Youssef, e os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Comunicação Social) a fariam com o dono da UTC, Ricardo Pessoa. 

O requerimento foi protocolado na segunda-feira (20/07) pela deputada Eliziane Gama (PPS-MA), na CPI da Petrobras, que acusa o peemedebista de ter lhe pedido propina de US$ 5 milhões.

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O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) comentou a declaração de Cunha, de que aceita a acareação desde que Dilma e seus dois ministros também a façam: “Na verdade, ele está mais uma vez desviando o assunto. A proposta do PPS é uma acareação na CPI da Petrobras, à qual Cunha já compareceu uma vez e foi bajulado e elogiado". 

Para o deputado do PSOL, Cunha se defende atacando: "Agora ele cita outros nomes, ele começa a falar do Janot, da Dilma, do Mercadante, do Sergio Moro... Nenhum deles está sendo investigado. São circunstâncias distintas. 

Chico Alencar também falou sobre as conversas que Cunha teve com integrantes da oposição. Segundo matéria da Folha de S. Paulo publicada nesta terça-feira (21/07), teria falado em excluir o PT do comando das duas CPIs que devem começar em agosto (BNDES e Fundos de Pensão)

“Eduardo Cunha deveria ter mais pudor em sugerir pautas. Ele continua agindo de forma imperial, absolutista. Cunha não é dono das CPIs, embora as acompanhe. Não é ele quem monta a CPI, muito menos quem determina quem participa dela ou não. A composição das CPIs é de acordo com o tamanho das bancadas”, concluiu o deputado do PSOL.

Já o deputado federal Celso Pansera (PMDB-RJ) se manifestou firmemente contra a convocação do presidente da Câmara: “Não há nenhum sentido no presidente Eduardo Cunha ser convocado. O Youssef é um bandido, está preso, condenado. E o Eduardo Cunha não tem nenhum inquérito instalado ainda. Sou totalmente contra".  

O deputado do PMDB criticou o requerimento: “Com todo respeito, mas não tem nenhuma responsabilidade com a viabilização dos fatos. É um fato que não existe”, afirmou ele. "O Eduardo Cunha, assim como uma série de outros políticos, tem um conjunto de denúncias, mas não há nenhum inquérito instalado para fazer acareação. Não tem lógica isso”, concluiu.