Miro Teixeira: 'Seria útil se Cunha renunciasse'

Parlamentar descarta a possibilidade de impeachment de Dilma Rousseff

O deputado federal Miro Teixeira (Pros-RJ), em seu 11º mandato, diz que, assim como o ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti, que renunciou após denúncia de recebimento de propina, em 2005, Eduardo Cunha (PMDB) deve deixar o cargo: "Definida a responsabilidade penal, eu penso que ele [Cunha] deve ser afastado da Presidência da Câmara, em primeiro lugar. Mas seria útil se ele renunciasse", declarou em entrevista à Folha de S. Paulo nesta segunda-feira ( 20/7)

O parlamentar afirmou à Folha que não há possibilidade de impeachment de Dilma Rousseff: "A interrupção involuntária do mandato não acontecerá, porque a Dilma não tem na testa o estigma da desonestidade. Eu não gosto do governo da Dilma, penso que é uma frustração o que o Brasil está vivendo. Mas também não gosto do oportunismo, como isso é tratado, porque faz mal ao país".

>> Leia a reprodução da entrevista à 'Folha de S. Paulo' na íntegra aqui:

Segundo a entrevista, para Miro, "não há oposição. Hoje não existe nem oposição à Dilma nem à Presidência da Casa. E isso é muito ruim para o país. Uma boa oposição permite ao governo fazer um enfrentamento de ideias".

Ministro das Comunicações no primeiro mandato de Lula, ele afirmou ainda ter participado junto com o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda), de uma reunião em janeiro de 2003, com mais duas pessoas do governo para discutir a maioria no Congresso. Segundo ele, venceu a posição "orçamentária", de comprar o apoio dos parlamentares. 

"O que eu presumo, e tenho minhas razões para presumir... Janeiro de 2003 foi um mês de debates, de como fazer maioria no Congresso. Houve uma reunião em janeiro. Havia quem dissesse que a maioria poderia ser em torno de projetos. E havia quem dissesse que "aquele Congresso burguês" poderia ter uma maioria organizada por orçamentos. Essa tendência dos que quiseram organizar pelo orçamento foi vitoriosa".