Polêmico bilhete da Odebrecht cita André Esteves, dono do BTG

O bilhete escrito pelo empreiteiro Marcelo Odebrecht na prisão em Curitiba, dirigido aos seus advogados, cita o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. A Polícia Federal apreendeu o bilhete, no qual Odebrecht também falava em  "destruir email sondas".

Esteves é também o maior acionista da empresa Sete Brasil, contratada pela Petrobras para fomentar a indústria naval, com encomendas de sondas para o pré-sal no Brasil.

Odebrecht acrescenta o trecho "história de iniciativa André Esteves", fazendo a referência ao banqueiro. "Lembrar que naquela época Sete não Petrobras. Off balance", diz ainda o empreiteiro.  Marcelo Odebrecht foi preso na última sexta-feira durante a 14ª fase da Operação Lava Jato.

O bilhete foi apreendido na segunda-feira (22) pela Polícia Federal, que informou ao juiz Sérgio Moro. "Como de praxe as correspondências dos internos são examinadas por medida de segurança". A mensagem foi publicada no blog de Fausto Macedo, do jornal Estado de S. Paulo.

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O e-mail a que se refere Marcelo Odebrecht foi usado como prova pela PF para prender o empresário, que teria sinalizado na mensagem datada de 2011, de acordo com os investigadores, ter conhecimento da prática de sobrepreço na empresa. A conversa trata com outros funcionários da empreiteira da colocação de sobrepreço de US$ 25 mil por dia em contrato de afretamento e operação de sondas. O documento também envolve a Sete Brasil, empresa criada para produzir sondas para o pré-sal.

Segundo a reportagem, a descoberta do bilhete foi comunicada à Justiça Federal pelo delegado Eduardo Mauat da Silva, integrante da força-tarefa da Lava Jato. Os advogados da Odebrecht Dora Cavalcanti, Rodrigo Sanches Rios e Augusto de Arruda Botelho enviaram uma petição ao juiz Sérgio Moro em que afirmam, sobre o bilhete, que "as anotações não continham o mais remoto comando para que provas fossem destruídas, e que a palavra "destruir" fora empregada no sentido de desconstituir, rebater, infirmar a interpretação equivocada que foi feita sobre o conteúdo do e-mail".

Em manifesto divulgado à imprensa na segunda-feira, a companhia afirma que, no e-mail endereçado à Odebrecht, a palavra "sobrepreço nada tem a ver com superfaturamento, ou qualquer irregularidade. Representa apenas a remuneração contratual que a empresa propôs à Sete Brasil".

De acordo com o colunista Lauro Jardim, o nome de André Esteves no  bilhete que Marcelo Odebrecht escreveu aos seus advogados prejudicou o desempenho das ações do BTG Pactual no pregão de ontem. Ainda segundo o colunista, Esteves ligou para a Odebrecht para tentar entender o que fazia o seu nome no bilhete. Ouviu que Marcelo Odebrecht estava instruindo os seus advogados a pedir para Esteves escrever uma nota técnica explicando como foi estruturada a Sete Brasil.

O JB entrou em contato com a assessoria de imprensa do BTG Pactual para receber uma posição da empresa sobre o bilhete, e foi informado que o banco ainda não está se pronunciando oficialmente sobre o assunto.

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Com Brasil 247