Dilma sobre Fifa: investigação vale para todos, desde a Lava Jato até este caso 

A presidente Dilma Rousseff comentou nesta quarta-feira, na cidade do México, a investigação da Justiça norte-americana envolvendo os principais dirigentes do futebol mundial, presos nesta manhã em Zurique, na Suíça, entre eles o ex-presidente da CBF, José Maria Marín. Ao todo, sete cartolas foram presos. Para Dilma, a investigação não deve ser "danosa" ao Brasil. Pelo contrário, declarou que o futebol brasileiro poderá se beneficiar com a ação contra corrupção no esporte. "Não penso que será danosa ao Brasil, e o futebol brasileiro só pode se beneficiar disso (investigação)", declarou Dilma em coletiva de imprensa.

Dilma defendeu a investigação do escândalo na Fifa, inclusive de denúncias que envolvam a organização da Copa do Mundo no Brasil, em 2014. “Acho que se tiver que investigar, investigue todas as Copas, todas as atividades. Isso vale para todos, vale desde a [Operação] Lava Jato até essa prisão, há que investigar, não vejo por que não”.

Perguntada sobre a colaboração do governo brasileiro com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos – responsável pela investigação, Dilma disse que não tinha informações sobre o assunto, mas que, se necessário, o Brasil irá participar.

“Temos um acordo com eles, o Brasil e esses órgão – a procuradoria americana e o Departamento de Justiça – colaboram sistematicamente, sempre que necessário ou solicitado”.

Nesta quarta-feira, o FBI anunciou que investiga um esquema de suborno sobre as escolhas das Copas do Mundo realizadas na África do Sul, em 2010, e a do Brasil, em 2014. A procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, não deu detalhes sobre a escolha do Brasil como sede, mas disse que as investigações apontam o pagamento de suborno e de propina em negociações de grandes campeonatos nos últimos 24 anos. Os valores ultrapassam U$ 150 milhões.

“Em 2004, começou a campanha para a escolha da sede do Mundial de 2010, que acabou por ser atribuído à África do Sul, a primeira vez que o continente africano acolhia o torneio. Até para este evento histórico, dirigentes da Fifa e outros corromperam todo o processo recorrendo a subornos para influenciar a escolha do anfitrião”, denunciou Loretta Lynch.

Sobre a Copa de 2010, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirmou que investiga 25 oficiais da FIFA e um funcionário do comitê da Copa do Mundo da África do Sul. Mas, também, estão sendo investigadas pessoas e entidades de outros países que participaram nas negociações deste mundial e de outros.

Em tom mais agressivo, Richard Weber, diretor do Internal Revenue Service (IRS), equivalente à Receita Federal dos Estados Unidos, definiu o torneio da Copa do Mundo como “fraude" e disse que a Fifa "levou cartão vermelho".

Nove dirigentes ou ex-dirigentes e cinco parceiros da Fifa foram indiciados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, acusados de conspiração e corrupção desde 1991.

Entre os acusados estão Jack Warner, antigo presidente da Confederação Norte-Americana de Futebol (Concacaf); dois vice-presidentes da Fifa; o uruguaio Eugenio Figueredo; e Jeffrey Webb, das Ilhas Cayman, assim como o paraguaio Nicolás Leoz, ex-presidente da Confederação da América do Sul (Conmebol).

Os outros dirigentes indiciados são o brasileiro José Maria Marín, o costa-riquenho Eduardo Li, o nicaraguense Júlio Rocha, o venezuelano Rafael Esquivel e Costas Takkas, das Ilhas Cayman.