Ex-presidente e atual senador pelo PTB de Alagoas, Fernando Collor de Mello teria recebido propina de R$ 3 milhões, segundo afirmou em depoimento a procuradores o doleiro Alberto Youssef. A quantia seria resultado de negócios feitos com a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras.
De acordo com Youssef, a operação foi intermediada por um emissário de Collor e do PTB, empresário e consultor do setor de energia Pedro Paulo Leoni Ramos. Ramos, que é amigo de Collor desde a juventude, teria trabalhado como um operador do esquema, intermediando o suborno. O empresário foi ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos durante o governo Collor, entre 1990 e 1992, além de, atualmente, ser dono da GPI Participações e Investimentos, que fazia negócios com Youssef.
O esquema, divulgado pela Folha de S. Paulo nesta terça-feira (24), resultou num contrato de R$ 300 milhões, assinado em 2012 entre uma rede de postos de combustíveis e a BR distribuidora. O objetivo era que a rede deixasse uma marca de combustíveis e passasse a integrar o grupo de revendedores da distribuidora.
Segundo a Folha, “em contratos regulares de troca de marca, em geral a empresa distribuidora dá um incentivo para que o posto de gasolina mude de bandeira. A ajuda serve para financiar obras e melhorias da rede”. Foi nesse processo que teria sido negociado o valor de 1% da propina no valor do contrato de R$ 300 milhões, em 2012, que seria arrecadado em dinheiro vivo e depois repassado a Leoni, confirmado por Youssef como um emissário de Collor que todos conheciam, em três parcelas de R$1 milhão.
De acordo com informações da Folha de S. Paulo, Youssef teria afirmado em depoimento que o dinheiro da propina era destinado ao senador Fernando Collor. Contudo, o doleiro não detalhou como o dinheiro teria chegado ao senador e também não citou nomes de diretores da BR Distribuidora que estariam envolvidos no esquema.
Esse não é o primeiro depoimento de Youssef em que Collor é mencionado. Em maio de 2013 o doleiro afirmou que mandou entregar R$ 50 mil em dinheiro vivo no apartamento de Collor em São Paulo que teria sido feita por Rafael Ângulo, emissário de Youssef que firmou acordo de delação premiada na investigação do Lava-Jato . O senador, no entanto, negou a acusação.
O PTB, partido do qual Fernando Collor é líder no Senado, tinha dois diretores na BR Distribuidora: José Zonis, na ára de Operações e Logística, e Luiz Cláudio Caseira Sanches, na Diretoria de Rede de Postos de Serviço. Segundo a Folha, Zonis foi uma indicação direta de Collor e Sanches do Partido, ambos ficaram na estatal entre 2009 e 2013.
Ramos também é alvo de investigações do Lava-Jato devido ao repasse de R$4,3 milhões que uma de suas empresas fez à MO Consultoria, companhia de Youssef. Há ainda investigações sobre as negociações entre Ramos e Youssef ligadas ao setor elétrico e ao laboratório Labogen, suspeito de integrar o sistema de fraudes do doleiro.
Em nota, divulgada na tarde desta terça-feira (24), pela Folha, Collor nega que teria recebido propina. Na nota, o senador afirma que as afirmações de Youssef “padecem de absoluta falta de veracidade e credibilidade”. E afirmou também que os depoimentos foram tomados “em circunstâncias que beiram a tortura de um notório contraventor da lei”.
O PTB de Alagoas também chegou a emitir uma nota defendendo o senador em que afirma que há uma “orquestração sórdida” contra Collor e que as acusações partem de um “criminoso confesso, já encurralado em suas teias de contravenções”