Reservatório de Paraibuna atinge volume morto, diz ONS

O Operador Nacional do Sistema (ONS) informou nesta quinta-feira (20) que o maior reservatório do Rio Paraíba do Sul, localizado em Paraibuna, no Vale do Paraíba paulista, entrou no chamado volume morto, ou reserva técnica. É a primeira vez desde sua criação, em 1978, que o nível da água atinge esse ponto. A estimativa é que a reserva seja de 2 bilhões de metros cúbicos.

O ONS divulgou um gráfico, mostrando o volume zerado, sem capacidade para a geração de energia. 

Apesar de localizado em São Paulo, o Paraibuna é considerado fundamental para o abastecimento do Estado do Rio e de várias cidades localizadas no Vale do Paraíba.

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A represa de Paraibuna foi idealizada na década de 70, em função do elevado crescimento populacional e para o atendimento socioeconômico regional. É utilizada para a geração de energia elétrica pela Usina Hidrelétrica de Paraibuna, sendo também chamada de represa da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Mas a principal finalidade da represa de Paraibuna é regular a vazão do Rio Paraíba do Sul, responsável pelo fornecimento de água para várias cidades do Vale do Paraíba e do Estado do Rio de Janeiro. 

De acordo com o Informativo Preliminar Diário da Operação, publicado hoje (22) pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o nível do reservatório de Paraibuna atingiu o chamado volume morto ontem (21), às 7 horas.

Estão chegando ao reservatório de Paraibuna nove metros cúbicos de água por segundo, mas ele está permitindo sair 32 metros cúbicos por segundo. Segundo a assessoria, isso está sendo feito com  vertimento, isto é, com descarga que não passa pelas turbinas, porque é preciso respeitar a vazão defluente mínima obrigatória do reservatório.

Na avaliação do ONS, esse é um sinal de que  os reservatórios estão se esvaziando. O reservatório de Santa Branca, pertencente à Light, por exemplo, apresenta nível de 0,65%, com entrada de 27 metros cúbicos de água por segundo e saída de 40 metros cúbicos por segundo; o de Funil¨(Furnas) tem nível de 4,15%, com 65 metros cúbicos por segundo de entrada e 137 metros cúbicos por segundo de saída; já  no reservatório de Jaguari (Cesp), o nível alcança 2%, com cinco metros cúbicos de água por segundo entrando e 11 metros  cúbicos por segundo saindo.

O ONS salientou, entretanto,  que para a geração de energia do  Sistema Interligado Nacional (SIN), a bacia  do Rio Paraíba do Sul representa menos de 1% da energia produzida. “Não é relevante em termos de energia. O fato de ela parar não é motivo de atenção maior, porque só contribui com 1% da geração hidráulica do sistema”,  esclareceu a assessoria do órgão.

Com Agência Brasil