Deputados, seguranças e manifestantes envolvem-se em tumulto

Deputados, seguranças do Congresso e manifestantes envolveram-se em um tumulto nas galerias do Plenário, cujo esvaziamento foi determinado pelo presidente do Congresso, Renan Calheiros, depois de alguns deles terem chamado a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) de “vagabunda” enquanto ela discursava.

As questões regimentais dominaram a primeira hora da sessão do Congresso e atrasaram o início da votação dos vetos que trancam a pauta. Esses vetos impedem a análise da mudança no superávit primário, que vai desobrigar o governo de cumprir a meta atual (PLN 36/14). O projeto é prioridade para o governo.

A oposição questionou a sessão realizada na semana passada, cobrou discussão individual dos itens e pediu a abertura das galerias para populares contrários à mudança no superávit. O deputado Felipe Maia (DEM-RN) pressionou pela abertura das galerias para cerca de 40 manifestantes barrados.

Já o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros, rejeitou as críticas e disse que o acesso ao Plenário foi liberado por senhas de acordo com o tamanho de cada partido. “O que pedem é a partidarização das galerias, não é a democratização das galerias”, afirmou.

A interferência das galerias – com gritos, palmas e cantos – durante o andamento da sessão levou o presidente Renan a exigir a expulsão dos populares do Plenário, motivado pela líder do PCdoB, deputada Jandira Feghali (RJ). Ela pediu a saída dos populares depois que eles chamaram a senadora Vanessa Graziottin (PCdoB-AM) de “vagabunda". 

“Numa sessão em que se debate política, não se admite que uma parlamentar seja chamada de vagabunda”, disse.

A meta de superávit esteve no centro da disputa. O deputado Pauderney Avelino (DEM-AM) criticou o decreto do governo que condiciona a liberação de recursos orçamentários à mudança na meta de economia do governo. O líder da Minoria, deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), também criticou a alteração. “A oposição se preocupa com superavit e com gastos abusivos que saem pelo ralo da corrupção”, disse.

Já o líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), defendeu a política governista. Ele disse que os gastos foram necessários para aquecer a economia em um momento de crise. “Estamos no maior momento de geração de empregos, o menor nível de desemprego”, disse.