Com baixa adesão, evento pró- MIS tem pagode e truco em SP

Inicialmente era para ser um churrasco em plena rua Bucareste no Jardim Europa, bairro de classe média alta da cidade de São Paulo, mas acabou virando “apenas” um pagode com cerveja e truco. O “Churrascão da gente diferenciada parte II” foi criado no Facebook como forma de protesto contra um abaixo assinado elaborado por moradores da região que são contra uma exposição que está acontecendo no Museu da Imagem e do Som (MIS). Porém, apesar das 10 mil confirmações na rede social, a manifestação reuniu cerca de 150 pessoas, segundo a Polícia Militar. Além disso, não houve churrasco.

Segundo os moradores da rua de trás do MIS, a grande procura pela exposição, que chega a formar uma imensa fila na calçada da avenida Europa, estaria gerando trânsito e barulho. Segundo o museu, o abaixo-assinado reuniu cerca de 10 assinaturas e foi entregue aos administradores com algumas reclamações. Segundo o MIS, algumas questões pontuais já foram resolvidas, como a colocação de sinalização organizando a chegada de visitantes e entrega de mercadorias.

O nome do evento é uma referência ao primeiro churrasco realizado em 2011, no bairro de Higienópolis, quando moradores protestaram contra a construção do metrô no local. Na ocasião o protesto reuniu cerca de 600 pessoas com direito a carne, linguiça e cerveja. Desta vez, mesmo com a baixa adesão, os manifestantes fizeram um protesto bem-humorado com instrumentos musicais e muito batuque. Ambulantes aproveitaram para vender catuaba e cerveja.

“A ideia veio a partir do depoimento e da matéria sobre os moradores e pela motivação do abaixo-assinado. Entendemos que a região é uma área abastada de São Paulo, que não teria motivos para reclamar de trânsito e infraestrutura como outras regiões. O evento é pra conscientizar os moradores que eles precisam refletir que o MIS não é um problema, é uma solução. O público cresceu muito, mas a partir do momento que tem uma fila, significa que tem uma organização. Nunca vimos problemas na fila do MIS. Toda aglomeração traz ambulante, assim como o show da Madona, Lady Gaga”, disse Francisco Costa, 27 anos, criador da página no Facebook.

O evento estava agendado para começar às 16h, mas acabou atrasando e apenas por volta das 16h40 dois ambulantes iniciaram a venda da cerveja. Pouco mais tarde, um dos manifestantes levou um banjo e a música começou. Um pandeiro, panelas e palmas passaram a acompanhar o instrumento.

“Me chamou atenção a rua Bucareste reclamar de barulho, ela fica atrás do MIS. Pode ocorrer trânsito, mas é natural. Falar que o MIS não tem infraestrutura não dá. Todo museu tem fila, não soou como um problema de infraestrutura, soou como se o MIS tivesse trazendo muita gente que não trouxe antes pra esse bairro. Acabou parecendo preconceituoso”, afirmou Francisco.

O criador do evento disse ainda que não esperava 10 mil pessoas, como indicava o Facebook, mas ficou contente com a presença das pessoas. “Disseram que o episódio acabou parecendo como o de Higienópolis e essa analogia faz todo sentido. É muito parecido com aquele movimento. Lá acabaram indo 600 pessoas, mas aqui não é uma rua famosa e existe a dificuldade de chegar”.

Valdemar Luiz Pereira do Santos, 54 anos, chegou a levar um banquinho e disse ter sentido falta do churrasco, mas enalteceu a legitimidade do protesto.

“Deveria ter mais gente. Infelizmente tem pouca gente, mas não sei o que aconteceu, o churrasco não apareceu. As pessoas acham que são o centro do mundo. Quem mora aqui acha que tem direito de dizer que não quer e acabou. Não é assim. Estamos num bairro dentro da cidade de São Paulo, dentro do estado de São Paulo e dentro do Brasil. Sou do Campo Limpo e tem muita gente de outros bairros pra mostrar que o bairro não é deles e o MIS é de todos”, disse.

Por volta das 16h30 a primeira viatura da Polícia Militar apareceu apenas para acompanhar o protesto. Porém, quando os manifestantes fecharam a rua Bucareste, perto das 17h30, outras viaturas foram chamadas, mas não precisaram agir. No total, quatro viaturas e uma base comunitária móvel fez a segurança da manifestação.