MST e representante de fazenda ocupada em Goiás negociam solução pacífica

Representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do grupo agropecuária Santa Mônica estão reunidos com representantes da Secretaria da Segurança Pública de Goiás, em Goiânia (GO). Convocados pelo superintendente executivo da secretaria,  Rogério Santana, eles participam de uma reunião do grupo de gerenciamento de crise. O objetivo é tentar encontrar uma solução pacífica para a reintegração de posse de parte da Fazenda Santa Mônica, ocupada por famílias sem terra desde o último domingo (31).

Segundo a assessoria de imprensa da secretaria, a reunião começou por volta das 14 horas e até as 16 horas não tinha terminado. Também estão presentes representantes do Tribunal de Justiça de Goiás, da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Ministério Público estadual e das forças policiais.

Uma das propostas em discussão é que os sem terra permaneçam na propriedade rural até pelo menos sexta-feira (12), quando o grupo de gerenciamento de crise voltará a se reunir. Até lá, a empresa Santa Mônica se comprometeria a não pedir o cumprimento da ordem judicial de reintegração de posse já expedida pela Justiça goiana, enquanto os sem terra se comprometeriam a impedir o ingresso de novas famílias na fazenda. Em contrapartida, as autoridades liberariam o acesso de veículos transportando alimentos para os ocupantes que já se encontram na propriedade.

Até a publicação desta reportagem, o resultado da negociação ainda não havia sido confirmado. A Agência Brasil também não conseguiu contatar as lideranças estaduais do MST.

Localizada em Corumbá de Goiás (GO), distante 150 quilômetros de Brasília (DF), a propriedade pertence ao senador e candidato ao governo do Ceará Eunício Oliveira (PMDB). Em nota, o parlamentar garantiu que a fazenda é produtiva e cumpre todas as normas tributárias, trabalhistas e ambientais, razão pela qual classifica a ação do MST como "ato surpreendente".

Logo após ocupar a fazenda, no domingo, o MST anunciou que o objetivo é alertar a sociedade para o fato de que a maior parte dos deputados e senadores da atual legislatura representa os interesses dos grandes produtores rurais, em detrimento dos produtores familiares e trabalhadores do campo. Segundo líderes do MST, a fazenda, com cerca de 20 mil hectares, é apenas um dos vários imóveis rurais pertencentes ao senador cearense em Goiás. Um hectare corresponde aproximadamente às medidas de um campo de futebol oficial.

Na segunda-feira (1º), a justiça estadual de Goiás determinou que as famílias que ocupam parte da fazenda deixassem o local voluntária e pacificamente em até 48 horas, após serem notificadas da decisão. De acordo com a assessoria do juiz Levine Raja Gabaglia Artiaga, autor da sentença, a notificação foi entregue às lideranças do movimento na manhã de quarta-feira. O prazo inicial, portanto, se encerrou na manhã de hoje (5).