Passeata de bebês na USP pede negociação para encerrar greve

Há três meses, três casais de São Paulo se revezam na estratégia batizada de “Creche-Crise” – “Creche Residencial Itinerante Solidária e Experimental”: cada um deles cuida, a cada dia da semana, de dois filhos dos outros dois pares, além de seus próprios, para que nenhuma das crianças, de um ano e meio a quatro anos, fique sozinha enquanto os adultos trabalham. A iniciativa foi uma maneira que a professora de artes Kelly Sabino, de 30 anos, encontrou para lidar com a suspensão dos trabalhos da creche da Universidade de São Paulo, em greve desde o último dia 27 de maio.

Kelly é docente na instituição e integrou nesta quinta-feira um grupo de pais e mães de alunos das creches da USP, na capital e n o interior, que realizaram uma passeata com os bebês pelo campus em São Paulo. Segundo a guarda universitária, cerca de 200 pessoas participaram do ato –metade delas, pequenos –que começou na creche central e terminou em frente à reitoria. Estudantes, funcionários e professores, representantes ou não do movimento grevista, se juntaram ao protesto.

Tanto a professora quanto outros pais e mães se disseram afrontados com as declarações do reitor, semanas atrás, à rádio CBN. Em entrevista, Zago disse que, até aquela data (8 de agosto), o impacto da greve na sociedade era “nenhum”. “Não é a greve que tem impacto, mas os atos ilegais praticados por grevistas”, definira. Dias depois, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) negaria liminar à universidade, que pleiteava a declaração de ilegalidade da paralisação.

“Como que o reitor afirma que não há impacto com a greve, se trabalhamos e não temos a creche para deixar nossos filhos? Meu trabalho na universidade não parou”, reclamou a professora, que tem dois filhos pequenos na creche central. “Não é apenas a creche fechada: é um projeto educacional bacana que é interrompido; são crianças que, sabemos, hoje brincam sozinhas e chegam ao ponto de criar amigos imaginários. Está muito difícil.”