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Projeto aponta falta de recursos como água potável em ilha de Paquetá (PA)

Projeto de Barco Hacker e Estudos Flutuantes revela problemas no fornecimento de serviços em ilha.

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Diversos problemas foram relatados pela comunidade da ilha de Paquetá, no Pará, em recente expedição de um programa de estudos que é parceria dos projetos Barco Hacker e Estudos Flutuantes. Os moradores da ilha relatam não ter acesso a recursos básicos como saneamento básico, coleta de lixo ou mesmo água potável.

O projeto Estudos Flutuantes e o Barco Hacker já fizeram cinco visitas à região. Na última visita, realizaram debates com a comunidade, dentre eles membros da associação de moradores e professores. Os programas focam nas questões de saúde e cidadania, educação ambiental e gerenciamento de resíduos sólidos em cumprimento da lei 12.305/2010.

Um dos principais problemas que ocorrem na ilha é a dificuldade de acesso à água potável. Os moradores não tem acesso ao recurso e nem podem construir poços artesanais, dado que o lençol freático da região está comprometido.

De acordo com a secretária da Associação de Moradores de Ilha de Paquetá Joelma da Costa, o maior problema da comunidade é mesmo toda a questão da água. “No caso, é mais difícil ainda para as famílias que não têm embarcações, já que temos que buscar água nas ilhas de Arapiranga ou de Cotijuba”, contou a secretária.

Lixo também é um problema sério na região visto que, segundo Joelma, coleta de lixo é algo que simplesmente não existe na ilha de Paquetá. “Não temos coleta. O lixo caseiro é queimado e as coisas que não temos como queimar, como garrafas de vidro, vão sendo armazenadas”, disse.

Outros serviços primários como energia elétrica, saneamento básico, e segurança também são muito deficientes na ilha, apesar da proximidade com Belém. Joelma conta que é constante a preocupação dos moradores com suas embarcações durante a noite, dado que a segurança é mínima e muitas vezes eles próprios precisam ficar vigiando.

Algumas iniciativas que envolvem a própria população local vão tentando amenizar a situação dos moradores. Joelma está envolvida em um projeto, por exemplo, de captação, aproveitamento e consumo da água da chuva. No momento, 11 famílias são atendidas com os equipamentos necessários para o procedimento e a intenção é ampliar o alcance em 70 famílias. Outro programa semelhante, com água de rio, também está nos planos dos moradores.

Estudos Flutuantes e Barco Hacker

Integrante do Centro de Estudos e Aplicações em Logística e Meio Ambiente (Cealma) e envolvida com o projeto Barco Hacker, Renata Maués explicou um pouco das ações dos projetos na ilha. A proposta do projeto Estudos Flutuantes envolve levar saúde e cidadania para comunidades ribeirinhas por meio de ações socioculturais, educação ambiental e gerenciamento de resíduos na ótica da economia criativa. O Barco Hacker, que já existia há mais tempo, tem como propósito levar cultura digital para estas mesmas comunidades.

A partir desse contexto surge a questão do georreferenciamento. “O georreferenciamento é uma necessidade de ambos os projetos, tanto o Estudos Flutuantes, pela questão do gerenciamento dos resíduos sólidos, quanto o Barco Hacker, pela inclusão digital, afinal somente medindo distâncias e compreendendo a geografia e hidrografia da região, ambas as ações poderão ser feitas”, explicou Renata.

Sobre os problemas da população local, Renata aponta que a ilha fica a 45 minutos do porto de Icoaraci, próximo à Belém, e conta com uma escola da rede estadual em baixa condição de manter seus 25 alunos estudando e não tem luz elétrica, água própria para consumo, nem sistema de escoamento de resíduos ou dejetos sanitários.

Os programas irão desenvolver uma série de ações visando melhorar a qualidade de vida da comunidade. Renata conta que nos debates realizados com os moradores, foi indagado à comunidade o que eles desejam como atenção prioritária e em que os projetos poderiam ajudar.

Para isso, visitas para aplicação de questionários já foram marcadas: até maio a ideia é ter pelo menos questionários respondidos por 80 famílias das 127 famílias que, segundo o Censo, compõe a comunidade.

Entre maio e setembro, oficinas começam a ser aplicadas e com base nos resultados dessas oficinas, em outubro uma série de trabalhos mais intensos começam a ser articulados com a sociedade. Os temas das oficinas são Cooperativismo e Associação; Beneficiamento de Resíduos Recicláveis para Geração de Renda; Economia Criativa e Solidária; e Culinária para o Reaproveitamento de Alimentos.

Renata explica ainda que a serviço não termina aí e enumera as ações que serão aplicadas após outubro. “Trabalhar na análise de dados, implantar o sistema de gerenciamento de resíduos através de parcerias entre a comunidade e cooperativas, aproveitar os saberes locais aplicados aos temas das oficinas para geração de renda e melhorias na alimentação e saúde, preparar a manutenção futura do projeto através da formação de agentes ambientais locais”, contou.