Um inquérito foi instaurado pelo Ministério Público para investigar possíveis excessos na ação da Polícia Civil que resultou em confronto com viciados na Cracolândia, região central de São Paulo. Segundo o Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), responsável pela operação, policiais que visavam prender um traficante foram repelidos por usuários de droga com pedras e pedaços de pau. Após a chegada de reforço, eles reagiram, diz a polícia. "Foi uma ação muito diferente de tudo que já vi do Denarc, fechando ruas e atirando bombas. Foi uma ação muito nebulosa, esquisita, estranha", disse o promotor Arthur Pinto Filho. As informações foram publicadas no jornal Folha de S. Paulo.
A ação policial causou uma crise política entre a prefeitura, que promove na região um programa para recuperar os viciados sem o uso de repressão, e o Estado. Além de bombas de efeito moral, os viciados dizem que os policiais usaram balas de borracha. O governo nega. O secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, defendeu ontem a ação do Denarc e disse que as operações na Cracolândia são comuns e que policiais civis vão continuar a prender traficantes na região. Ainda na sexta, o assessor do governo Edson Ortega, que atua na Cracolândia, disse que as ações da Polícia Civil continuarão ali, "mas, se houver a possibilidade de confronto, a operação não deve ser feita". A declaração provocou mal-estar com a secretaria, pois teria soado como uma admissão de que houve excessos. Além disso, o entendimento é de que somente Grella poderia fazer essa avaliação.