SP: ANTT diz que empresa descumpriu regras em caso de descarrilamento

A Agência Nacional de Transportes Terrestres disse que o descarrilamento de trem que matou oito pessoas em São José do Rio Preto (SP) no último domingo pode ter sido provocado por descumprimento das regras de segurança vigentes na via. Segundo comunicado publicado pelo órgão, a ANTT “reafirma que exerce seu papel de agente regulador e fiscalizador com inspeções frequentes na malha ferroviária da ALL”. 

Ainda segundo a ANTT, em relação ao acidente de Rio Preto, a agência já havia estabelecido restrições de velocidade no perímetro urbano cortado pela ferrovia. O limite estabelecido para o local de acidente é de 25 km/h, mas, segundo a perícia feita na caixa-preta do trem, a composição estava a 44 km/h no momento do descarrilamento. 

A agência continua acompanhando a apuração do acidente feita pela concessionária e “auditará todas as informações que forem fornecidas, para verificar quais de suas determinações foram descumpridas”. 

A apuração deverá ser concluída em até 30 dias após o acidente. A polícia ainda espera o laudo final para definir quem será responsabilizado pelo crime. Questionada sobre a velocidade ainda no início da semana, a ALL manteve a afirmação de que o limite seria de 50 km/h porque a empresa fez melhorias no local. A restrição foi imposta em 2011.  

Manifestação impede restauração da linha

O sentimento de revolta tomou conta de moradores no local do acidente. Moradores invadiram a linha, no Jardim Conceição, e impediram que funcionários da ALL fizessem trabalho para recuperar malha e permitir a retomada de transporte de cargas. Com faixas e cartazes, moradores fizeram a primeira mobilização na noite de segunda-feira. A situação voltou a ficar tensa na manhã de terça-feira. A Guarda Municipal foi acionada para evitar confronto. Segundo a ALL, há 200 funcionários a postos para restabelecer o tráfego de trens em 24 horas. Os serviços, porém, estão paralisados. A empresa não descarta acionar a Justiça para tentar a liberação. 

Diretor da ALL diz que liberação é ‘direito’

O diretor jurídico da ALL, Pedro Almeida, viajou de Curitiba, onde fica a sede da empresa, a São José do Rio Preto para verificar a situação. Ele reuniu-se com vereadores e também na Defensoria Pública, que chamou a ALL para discutir ações de indenizações às vítimas.

“Estamos prestando assistência, e o que estiver faltando vamos ajustar”, afirmou. Ele espera a liberação da linha. “Esperamos a retomada através do diálogo. Queremos ter o direito de fazer a limpeza e restabelecer a linha com segurança”, disse.  Trens estão parados em Santos e no Mato Grosso por causa do acidente.