'Tenho vergonha do meu país', diz filha de Genoino após decisão de junta médica

Uma das filhas do deputado federal José Genoino, a professora Miruna Genoino criticou nesta quarta-feira o parecer da junta médica determinada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, sobre a situação de saúde de seu pai. Em nota, a filha do parlamentar afirmou que sente vergonha do Brasil, “que deixa que se condene uma pessoa à pena de morte enquanto seu único erro foi não ter medo de lutar pelos demais”. 

Ontem, a junta médica determinada por Barbosa concluiu que a situação de Genoino não é grave e que sua permanência no regime domiciliar ou hospitalar não é imprescindível para a continuação do tratamento de saúde a que vem sendo submetido desde que foi preso. O laudo servirá de base para Barbosa decidir se mantém a concessão ou se envia Genoino novamente para o Complexo Penitenciário da Papuda.

“Finalmente o Joaquim Barbosa tem o que queria, um laudo médico, feito com meu pai já alimentado corretamente e medicado, e ao lado da família, dizendo que não, ele não tem nada grave. Ele quase morreu em julho, venceu os 10% de chances de sobreviver, teve uma dor que só o fazia pensar em morrer com tal de que ela se fosse e não, ele não tem nada grave. Meu pai teve vários episódios de pressão alta na prisão, comeu lixo e voltou com o sangue quase se esvaindo em uma hemorragia; mas sim, na prisão é possível que seja bem cuidado”, afirmou Miruna. 

A filha de Genoino questionou ainda se os médicos responsáveis pelo laudo estiveram na penitenciária da Papuda, onde Genoino ficou preso antes de se sentir mal e ser hospitalizado. “Com que autoridade os senhores sentem-se no direito de dizer que meu pai pode voltar para lá? Viram as condições oferecidas? Comeram a comida de lá? Foram ao banheiro de lá? Viram o ambulatório? Equipamentos de lá?”, questionou.

"No entanto, apesar de ser difícil, eu acredito que a justiça, não a dos homens, não falha jamais, e que vocês um dia sentirão na pele o que é agir com falta de humanidade e sem um mínimo de vergonha na cara", concluiu.

Laudo aponta que caso de Genoino não é grave

O ex-presidente do PT foi submetido ainda a outros quatro exames, como eletrocardiograma, ecodopplercardiograma e angiotomografia nas artérias e na aorta. Em julho, Genoino foi submetido a uma cirurgia para contornar uma dissecção da aorta - a artéria estava abrindo em camadas, o que provocava hemorragias - e foi implantada uma prótese de 15 centímetros para evitar que ela se rompesse. Os resultados apontam que a cirurgia foi bem sucedida em controlar os problemas cardíacos pelo qual o petista passava.

Os médicos afirmam ainda que a recente crise pela qual passou Genoino é fruto de um quadro psicossomático. Em outras palavras, o petista teria passado mal pelo estresse emocional ao qual teria sido submetido desde sua prisão. 

O laudo aponta também que Genoino tomou doses erradas dos remédios, que contribuíram para a alteração da pressão arterial verificada antes de sua internação no Instituto de Cardiologia do Distrito Federal, na última quinta-feira, e para o caso relatado de que o petista estaria cuspindo sangue. "O distúrbio da coagulação, manifestado por episódios de escarros ferruginosos e sangramento nasal, deveu-se ao inadequado controle da dose do medicamento, que uma vez ajustada fez desaparecer aquelas manifestações", aponta a junta médica.

Em todas as análises feitas pelos médicos, não foi detectada "significativa limitação física, pelo que não se justifica atualmente a instituição de um tratamento específico". Os médicos vão além e afirmam que "não é imprescindível a permanência domiciliar fixa do paciente".