Em artigo no jornal Financial Times, o repórter John Paul Rathbone faz uma profunda análise sobre a derrocada do império de Eike Batista e o pedido de recuperação judicial da OGX. "Os investidores viram Eike Batista, ousado empresário do Rio de Janeiro, declarar falência. A sua história é, em muitos aspectos, sinônimo de ascensão e queda do Brasil. Além disso, o Brasil é um arquétipo de mercado emergente", diz.
Rathbone explica que, no ano passado, Eike Batista foi o sétimo homem mais rico do mundo, ostentando uma fortuna que tinha crescido para mais de US$ 30 bilhões durante os anos da 'maravilhosa' gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, como o ex-presidente carismático é amplamente conhecido. Mas, na verdade, os dois homens estavam em lados diferentes da mesma moeda.
"Lula foi o político mais bem-sucedido de seu tempo. Mesmo a natureza parecia sorrir em seu governo, com a descoberta em 2007 de enormes jazidas de petróleo em alto mar. Ajudado por um boom dos preços das commodities, o líder sindical virou presidente, tirou milhões de brasileiros da pobreza, projetou a diplomacia sul-americana internacionalmente, colocando o B nos Brics, e tornou-se símbolo do sucesso dos países emergentes, um aumento que prometeu para reconfigurar o mundo", acrescenta o artigo do Financial Times.
"Hoje o Sr. Batista caiu em desgraça depois de descobrir que o óleo, a principal fonte de financiamento para o seu império alavancado, estava seco. Da mesma forma , o Brasil aparentemente perdeu o seu caminho, assim como muitos mercados emergentes também estão perdendo seu apelo contra a revolução do gás de xisto, que promete transformar os EUA e a zona do euro", prossegue.
O periódico diz ainda que, no ano passado, a economia expandiu-se pela metade da taxa do Japão. O papel de locomotiva continental foi retomado, para grande desgosto de Brasília, pelo Chile, Colômbia, México e Peru.
O artigo faz uma referência também à Petrobras. "A companhia estatal de petróleo, que levantou US$ 70 bilhões em 2010, na maior oferta pública de ações do mundo, desde então tem registrado uma queda em seus papéis de 37%. "O Brasil é hoje ainda um lugar de medo dos investidores em geral, como aconteceu em maio, quando milhões de dólares fugiram do país acreditando que o Federal Reserve dos EUA estava prestes a aumentar as taxas de juros".
"Não são apenas os capitalistas que estão fartos. Em junho, 1 milhão de pessoas saíram às ruas para protestar contra a corrupção e os milhões que estão sendo gastos em novos estádios de futebol para a Copa do Mundo do ano que vem, em vez de melhores serviços públicos. Grande parte da nova classe média continua a ter, na realidade, apenas o salário de um mês longe da pobreza. Após 11 anos no poder, e a probabilidade de mais quatro após a eleição do próximo ano, o Partido dos Trabalhadores de Lula também cresceu velho e complacente. As reformas estão sendo deixadas de lado", salienta o jornal.
O artigo retoma o tema de Eike Batista e diz que a consequência do pedido de recuperação judicial da OGX deve ser limitada. "O Brasil continua sendo um mercado importante para as multinacionais, especialmente de telecomunicações e empresas de bens de consumo, e desenvolveu bolsões de verdadeira excelência, especialmente em commodities e agroindústria".
"O país manteve a estabilidade em um continente difícil, que inclui a socialista Venezuela, Bolívia e a Argentina. Os EUA são castigados por não prestarem atenção para a região, talvez porque não precisam. Com uma hegemonia regional, o Brasil faz um bom trabalho", acrescenta.
"A grande questão agora para o Brasil, e para todos os mercados emergentes, é saber se o progresso vai continuar com a elevação das taxas americanas. Não, se você acredita que os últimos 30 anos foram apenas de liquidez financeira. Sim, se você acredita que bons hábitos têm-se incorporado no mesmo período. Apesar do exemplo do Sr. Batista, eu aposto no último - embora possa ser um mau bocado", conclui.