"Queremos usar o espaço de aulas para lutar", diz estudante da USP

A estudante do curso de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo (USP) Vanessa Monteiro Cunha, membro do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e da comissão de ocupação, afirmou que o grupo de alunos que toma conta do prédio da administração central da universidade quer usar o espaço das aulas para lutar pelos direitos estudantis.

O grupo de estudantes que ocupou a reitoria da USP durante reunião de conselho que discutia a eleição para reitor decidiu na noite de ontem pela permanência no prédio por tempo indeterminado e também por fazer uma greve geral. Cerca de 400 estudantes da USP invadiram a reitoria durante a tarde de terça-feira, reivindicando que as eleições para reitor, previstas para o fim do mês, sejam diretas.

Os alunos também reivindicavam paridade entre eleitores na escolha do reitor, que atualmente ocorre por meio de colégios eleitorais - representados majoritariamente por professores titulares. Um dos pontos mais criticados pelos alunos, a lista tríplice não sofreu alterações. Através desse sistema, os nomes dos três candidatos mais votados são enviados ao governador do Estado, que decide quem será o reitor. Dessa forma, João Grandino Rodas - o segundo na lista de 2008 - foi escolhido como o atual reitor.

“Estamos fazendo pequenas assembleias em cada unidade e amanhã faremos uma assembleia geral para saber quais serão os rumos do movimento, se continuaremos em greve, as novas pautas, etc. Um momento de greve é um momento de mobilização e queremos usar esse espaço das aulas para armar nossa luta”, afirmou Vanessa.

A estudante afirmou ainda que a reitoria tentou fazer uma proposta de eleição direta, porém, que não contentou os grupos de estudantes.

“O reitor tentou fazer uma proposta de eleição direta para arrefecer os ânimos dos estudantes e contemplar as necessidades da comunidade acadêmica, mas que de fato não resolve nosso problema, porque falam que são eleições diretas, mas é apenas uma consulta à comunidade acadêmica, mas que no final das contas o governo do Estado continua decidindo quem será o reitor”, desabafou a estudante.

Apesar de os ânimos terem ficado exaltados durante a tentativa de invasão da reunião de ontem, hoje o clima é de tranquilidade no prédio da reitoria na Cidade Universitário. No local são encontrados apenas algumas paredes pichadas e uma bandeira do Brasil queimada pendurada na porta do prédio. Alguns estudantes circulam pelo local com rostos cobertos e conversando sobre a ocupação.

“Ontem houve uma ocupação de reitoria que foi construída com bastante estudantes, inclusive muito representativa no que diz respeito aos cursos. Os mais diversos cursos já estão em mobilização. Estamos passando em salas para discutir a paralisação e a ideia é que amanhã tenha uma nova assembleia geral”, explicou Vanessa