Novo ministério de Dilma mostra seus primeiros traços

Pastas deixadas pelo partido de Eduardo Campos estão na mira do PMDB

A saída do PSB do governo Dilma Rousseff e as eleições de 2014 provocarão grandes mudanças nos ministérios, novidades que serão reveladas junto com a reforma ministerial prometida para dezembro, a terceira da mandatária. Uma das pastas antes ocupada pelo partido de Eduardo Campos, o Ministério da Integração Nacional, já tem nome certo, Vital do Rêgo (PMDB-PB), indicado pela alta cúpula do seu partido. Já a Secretaria de Portos, antes ocupada por Leônidas Cristino (PSB-CE), está não só na mira do PMDB como também do PT. Quanto às consequências das próximas eleições, 11 dos 39 ministros devem se candidatar a cargos de senadores, governadores ou deputados.

O PMDB já anunciou sua intenção de colocar o senador Vital do Rêgo como ministro da Integração Nacional, com apoio de Renan Calheiros (PMDB-AL), José Sarney (PMDB-AP), Romero Jucá (PMDB-RR) e Valdir Raupp (PMDB-RO). Na última terça-feira (01/10) a presidente formalizou a saída de Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) do ministério, depois que o PSB resolveu entregar os cargos que detém no governo federal. A ideia do partido era que o político assumisse a pasta já agora, no lugar do interino Fernando Teixeira, que ocupava a Secretaria de Infraestrutura Hídrica da pasta. A presidente, contudo, indicou que Teixeira deve permanecer no cargo até dezembro, quando a reforma for anunciada. O partido deve se reunir nesta quinta-feira (03/10) com Dilma. O partido também visa a Secretaria dos Portos, antes ocupada por Leônidas, que já havia indicado probabilidade de se candidatar ao governo do Ceará em 2014.

Há duas semanas, o PSB decidiu deixar o governo, tendo em vista a possível candidatura de Eduardo Campos à presidência da República em 2014. O partido era parceiro do PT desde 1989. Especulou-se anteriormente que o partido de Eduardo Campos se adiantou à suposta intenção do governo de entregar o Ministério de Integração Nacional ao PMDB. 

Em meio às mudanças que são costuradas, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, se ofereceu para ocupar algum ministério. No entanto, duas questões impedem que seu novo objetivo seja alcançado. Uma delas seria que o único defensor inegável de sua candidatura é o deputado Eduardo Cunha, líder do PMDB na Câmara e não muito benquisto pelo Planalto. Outra questão seria sua imagem já desgastada no país. Especulou-se que Cabral assumiria o Ministério do Turismo e que o mesmo chegou a pedir o Ministério de Minas e Energia, que lhe foi negado. Teriam oferecido a ele a Autoridade Pública Olímpica, mas Cabral recusou. A saída de Cabral do governo do Rio está prevista para janeiro, para que seu filho Marco Antonio concorra a deputado federal.

O Ministério do Turismo deve receber novo comando, já que Gastão Vieira (PMDB) quer o Senado pelo Maranhão. A pasta, inclusive, tem servido para tirar alguns da corrida eleitoral de 2014. Recentemente, foi anunciado que o senador Valter Pinheiro (PT-BA) seria cotado para assumir o Ministério do Turismo. Ele, no entanto, já negou que isso se realize. Pinheiro quer concorrer ao governo baiano em 2014, candidatura, inclusive, que que tem mais interessados que vagas efetivas.

Alexandre Padilha (PT) é um dos ministros que já garantiu presença nas eleições de 2014: vai concorrer ao governo de São Paulo. Ele deve deixar o comando do Ministério da Saúde em novembro, para se dedicar à campanha. O PT, todavia, não quer abrir mão da pasta. 

Entre os outros ministros que devem disputar um cargo nas próximas eleições estão Aguinaldo Ribeiro (PP), ministro das Cidades, que quer o governo da Paraíba; Aldo Rebelo (PCdoB), que quer deixar o Ministério dos Esportes para concorrer a espaço na Câmara dos Deputados por São Paulo; Antonio Andrade (PMDB), que deve deixar o Ministério da Agricultura para tentar o vice-governo em Minas; César Borges (PR), que pretende abrir mão do Ministério dos Transportes para concorrer ao governo da Bahia; Fernando Pimentel (PT), ministro do Desenvolvimento, quer concorrer ao governo do Minas; Gleise Hoffmann (PT), da Casa Civil da Presidência, quer o governo do Paraná; Ideli Salvatti (PT), secretária de Relações Institucionais, quer o Senado por Santa Catarina; Marcello Crivella (PRB), ministro da Pesca, quer o governo do Rio; e Maria do Rosário (PT), da secretaria dos Direitos Humanos, quer entrar na Câmara pelo Rio Grande do Sul.

Há indícios de um movimento para colocar a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, como substituta de Gleisi. Alguns defendem, no entanto, a nomeação de Aloizio Mercadante para o cargo, já que ele teria um perfil mais político que Miriam, que é mais técnica. O Ministério do Trabalho de Manoel Dias não deve sair do PDT, apesar do escândalo recente com a pasta. A princípio, os companheiros de Manoel Dias chegaram a defender a entrega do cargo e rompimento com o governo. Mas o presidente do partido, Carlos Lupi, não deixou a ideia ir à frente.