Índios tentam invadir Câmara e um deles fica ferido 

Cerca de 1,5 mil índios de 305 etnias tomaram conta da Esplanada dos Ministérios nesta quarta-feira e deixaram o trânsito caótico na região. Os índios estão acampados em frente ao Congresso Nacional e surpreenderam a Polícia Militar ao invadir as duas pistas do Eixo Monumental, na altura dos ministérios da Saúde e da Justiça.

O grupo protesta contra a Proposta de Emenda à Constituição que submete ao Congresso a decisão sobre demarcação de terras indígenas. Atualmente, todos os procedimentos da demarcação ficam a cargo exclusivamente do Poder Executivo. O presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves, suspendeu ontem a instalação da comissão especial que analisaria a matéria.

Os índios são contra a PEC, e parte deles tentou invadir o prédio do Congresso. Eles foram contidos pelos policiais com spray de pimenta e um deles se cortou ao quebrar um dos vidros da porta do Anexo 1. A PM também reforçou a segurança com um carro do Choque que lança jatos d’água.

Diante da tensão criada, os deputados Lincoln Portela (PR-MG) e Perpétua Almeida (PCdoB-AC) foram até o grupo e convidaram 31 índios para que entrassem no Congresso. Liderados pelo cacique Raoni, onze deles se reuniram com o presidente em exercício da Câmara, André Vargas (PT-PR), enquanto o restante aguardava no Salão Verde.

Na reunião, Vargas recebeu das mãos do cacique Raoni um documento com as reivindicações dos povos kayapós. Vargas informou que, nesta quinta-feira (3), às 11 horas, um grupo de deputados irá ao encontro dos índios que estão acampados no gramado em frente ao Congresso Nacional. Na ocasião, os parlamentares receberão a lista de prioridades de todas as etnias indígenas.

O presidente em exercício da Câmara afirmou que o caminho para encontrar uma solução é o diálogo entre todos os poderes, mas avaliou que a análise da PEC, que submete a demarcação de terras indígenas à aprovação do Congresso, está inviabilizada. O arquivamento da proposta é uma das exigências dos índios.

O índio Renato Tupiniquim, de 25 anos, que se feriu ao se chocar contra uma porta de vidro do anexo 1 da Câmara, foi atendido no Hospital Universitário de Brasília (HUB) e liberado. Segundo o índio Poran Potiguara, que o acompanhou ao hospital, Renato se feriu nos dois braços e levou muitos pontos. Numa região do braço esquerdo, ele perdeu bastante pele e precisará de cirurgia plástica. Renato é do Espírito Santo. No momento do acidente, ele queria entrar na Câmara para participar de debate sobre proposta do presidente da Frente Parlamentar de Defesa dos Povos Indígenas, deputado Padre Ton (PT-RO), de reserva de quatro vagas para índios na Câmara. A proposta ainda não foi apresentada formalmente.

Segundo a Polícia Legislativa, Renato se atirou contra a porta de vidro, que estava fechada. Segundo Poran, a porta estava aberta e Renato ia entrar, quando a segurança fechou a porta contra ele.

Renato foi atendido no ambulatório de saúde indígena e liberado cerca de duas horas depois. Poran, que é da Paraíba, afirmou que Renato está hospedado na casa de uma prima em Brasília.


Com informações do Portal Terra e da Agência Câmara