Petrobras: deputado irá ao STF por CPI sobre propina para políticos do PMDB

As denúncias de desvio de verbas de contratos internacionais da Petrobras para políticos do PMDB podem resultar na instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O deputado Maurício Quintella (PR-AL) afirmou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que a comissão seja instalada.

Nas denúncias, publicadas pela revista "Época" deste fim de semana, o engenheiro e ex-funcionário da Petrobras João Augusto Rezende Henriques afirma que integrantes do PMDB de Minas teriam recebido propina de contratos internacionais assinados pela estatal.

Na reportagem, o engenheiro citou o atual ministro da Agricultura, Antônio Andrade, e o presidente da Comissão de Finanças da Câmara, João Magalhães. Até julho do ano passado, a diretoria da área internacional da Petrobras era ocupada por Jorge Zelada, apadrinhado pelo PMDB mineiro. 

Após a publicação da reportagem, Henrique desmentiu o repórter Diego Escosteguy, divulgando uma nota sobre a conversa que ambos tiveram e que resultou na matéria. Veja abaixo a íntegra da nota:

"Informo que não concedi entrevista à revista Época. O contato que mantive com o repórter da publicação tratava-se meramente de uma conversa informal, cujo convite partiu dele, na qual o repórter apresentou as situações descritas na reportagem. O que não significa que houve concordância com a versão do repórter.

Quanto aos fatos mencionados pelo jornalista, não exerço, e nunca exerci, qualquer interferência nos contratos da área internacional da Petrobras. Não recebi e nunca repassei qualquer recurso para pessoas nem tampouco partidos, sejam eles PT ou PMDB.

De fato, havia sido sondado pelo já falecido deputado Fernando Diniz para assumir um cargo na Petrobras, mas declinei do convite.

Conheci, e conheço várias pessoas da Petrobras porque lá trabalhei durante 23 anos, tendo sido, inclusive, diretor da BR Distribuidora. Não fui responsável por demissões ou indicações para cargos na estrutura da Petrobras.

No mais, o que expôs a publicação são ilações. João Augusto Henriques"

O primeiro pedido de CPI, que reuniu 199 assinaturas, partiu de três deputados: Quintella, Carlos Magno (PP-RO) e Leonardo Quintão (PMDB-MG). O pedido aguarda sua vez numa fila de requerimentos de CPIs e, se não houver uma decisão judicial favorável, não deverá ser instalada até o final de 2014. Por isso, Quintella vai recorrer ao STF.