Itamaraty diz que incentiva formação de diplomatas afrodescendentes

O Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, disse em nota, que "não comentará a manifestação do Ministro Joaquim Benedito Barbosa Gomes, por ter sido feita a título pessoal". Em entrevista ao jornal O Globo, publicada no domingo, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, disse que "o Itamaraty é uma das instituições mais discriminatórias do Brasil".

Barbosa prestou concurso para a pasta, mas foi reprovado: "Passei nas provas escritas, fui eliminado em uma entrevista, algo que existia para eliminar indesejados. Sim, fui discriminado, mas me prestaram um favor. Todos os diplomatas gostariam de estar na posição que eu estou. Todos", disse ao jornal.

A nota do Itamaraty ressalta ações afirmativas destinadas a incentivar a formação diplomatas afrodescendentes.

"Recorda-se, por oportuno, que o Itamaraty mantém programa de ação afirmativa – a Bolsa Prêmio Vocação Para a Diplomacia –, instituída com a finalidade de proporcionar maior igualdade de oportunidades de acesso à carreira de diplomata e de acentuar a diversidade nos quadros da diplomacia brasileira. Lançado em 2002, o programa já concedeu 526 bolsas para 319 bolsistas afrodescendentes. Dezenove ex-bolsistas foram aprovados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata e integrados ao Serviço Exterior Brasileiro. As bolsas concedidas têm atualmente o valor anual de R$ 25.000,00 e devem ser utilizadas na compra de materiais de estudo e no pagamento de cursos preparatórios. Esse programa tem melhorado, de forma concreta e decisiva, as possibilidades de ingresso na carreira diplomática por candidatos afrodescendentes", diz.

"Ademais, desde 2011, o Ministério das Relações Exteriores adotou reserva de 10% das vagas na primeira fase do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata, com vistas a promover o acesso de candidatos afrodescendentes ao Serviço Exterior Brasileiro", defende-se a pasta.