Governo não ficará quieto com rodovias interrompidas, diz Dilma

Em discurso nesta quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff endureceu o tom em relação ao protesto de caminhoneiros, que vêm bloqueando rodovias há três dias em diferentes Estados do País. Fazendo alusão à bandeira da República, ela disse que o País é feito de progresso, mas requer ordem. Dilma afirmou que seu governo "não ficará quieto" frente a esse tipo de manifestação e indicou que deverá usar a força, se necessário, para remover os bloqueios.

"É fundamental no País que estradas não sejam interrompidas, e o meu governo não ficará quieto perante o processo de interrupção de rodovias. Ordem significa democracia, mas também respeito às condições de produção e circulação da vida dos brasileiros", afirmou ela. 

"Não concordamos com processos que levem a qualquer tipo de turbulência nas atividades produtivas e na vida das pessoas. O Brasil precisa de ordem tanto para sua democracia quanto para sua economia e para a vida de cada um dos brasileiros", completou a presidente.

Nesta quarta, um dia depois de a Justiça Federal ter acatado o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) e determinado o desbloqueio das rodovias federais que cortam Minas Gerais, caminhoneiros liberaram nesta quarta-feira trechos da BR-381, a rodovia Fernão Dias, que liga o Estado a São Paulo. Os protestos seguem na Bahia e no Rio Grande do Sul.

Ontem, o ministro dos Transportes, César Borges, garantiu que o governo vai tomar as providências necessárias para evitar os bloqueios de caminhoneiros nas estradas e criar uma câmara com representantes do setor de transporte de cargas para discutir os problemas da área. O objetivo é ampliar o diálogo e buscar soluções rápidas para evitar situações de paralisação como as que vêm ocorrendo atualmente.

"O Brasil e o governo federal não podem assistir passivamente a esta situação. O governo tomará todas as medidas que estiverem a seu alcance para que o Brasil tenha tranquilidade, todas as cargas cheguem a seu destino e a economia brasileira flua", disse o ministro. Borges disse que não é possível atender a todas as reivindicações dos caminhoneiros. A isenção de pedágio, por exemplo, pode prejudicar contratos de concessão, ressaltou.

Os profissionais pedem também subsídio ao óleo diesel, criação de estrutura exclusiva para atender ao transporte rodoviário de cargas e aprimoramento da lei conhecida como Lei do Caminhoneiro. Ao comentar essas demandas, Borges explicou que o diesel já é subsidiado, que o Ministério dos Transportes tem uma secretaria com a função da estrutura pedida pelos manifestantes e que o governo apoia o aprimoramento da lei.