Caminhoneiros mantêm interdição da Castello Branco

Os caminhoneiros que interditam a Rodovia Castello Branco, na região de Barueri, na Grande São Paulo, desde as 5h desta segunda-feira (1º), pretendem permanecer no local até que líderes do movimento sejam recebidos pelo secretário estadual de Logística e Transportes, Saulo de Castro Abreu Filho. O protesto já dura 13 horas e a rodovia, que liga a capital paulista ao oeste do estado, está interditada nos dois sentidos.

Os caminhoneiros autônomos reivindicam redução de 50% na tarifa do pedágio no período noturno, cancelamento da cobrança por eixo erguido da carreta, que, segundo a categoria, deve entrar em vigor em breve, e diminuição de 25% no preço do óleo diesel. “A gente volta vazio e não paga o eixo, mas ele [o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin] quer cobrar isso agora”, disse Claudinei Oliveira, um dos organizadores do protesto.

Caso não ocorra negociação com o governo estadual, a categoria ameaça continuar bloqueando a rodovia. “[Vamos interditar a rodovia] até o secretário de Transportes falar com a gente ou abrir alguma audiência para falar com a gente”, informou, por telefone, à Agência Brasil. “Podemos ficar dias, até 72 horas parados”, disse Oliveira, ressaltando que o protesto é pacífico e que os acostamentos da rodovia, em ambos os sentidos, foram liberados para automóveis, ônibus e ambulâncias.

De acordo com Oliveira, até o momento, ninguém do governo paulista procurou os líderes da manifestação para marcar uma reunião ou abrir negociação com a categoria. Segundo ele, cerca de 3 mil caminhoneiros estão parados na Castello Branco – o número não foi confirmado pela Polícia Rodoviária Estadual.

A Polícia Rodoviária informou à Agência Brasil que a rodovia continua fechada nos dois sentidos, mas que uma faixa em cada sentido foi liberada para circulação de automóveis e motocicletas. A corporação não soube precisar o número de caminhões parados na rodovia. Na direção do interior, o congestionamento chega a 7 quilômetros e, na direção da capital, a 2 quilômetros. A Polícia Rodoviária confirmou o caráter pacífico da manifestação.

Segundo a CCR ViaOeste, que administra a rodovia, o tráfego na Castello Branco está interrompido nos dois sentidos por causa da manifestação. A concessionária informou que o bloqueio, sentido capital, ocorre na altura das cidades de Itapevi e Barueri, entre os quilômetros 32 e 30, e em Barueri, no sentido interior, entre os quilômetros 24 e 30.

Agência Brasil procurou a Secretaria de Transportes, que informou não ter recebido, até o momento, pedido do movimento para marcar uma reunião com o secretário. Segundo a secretaria, Saulo de Castro Abreu Filho está disposto a conversar com os manifestantes, embora ainda não tenha sido procurado por ninguém do movimento.

Em nota, a Agência de Transportes do Estado de São Paulo e a Secretaria Estadual de Logística e Transportes informaram que a cobrança de pedágio por eixo suspenso dos veículos comerciais “é neutralizada pelo não repasse do reajuste tarifário anual de 6,5%”. “A cobrança do eixo suspenso não foi implantada hoje, pois ainda depende da conclusão de medidas jurídicas e técnicas para ser efetivada. Não há previsão para conclusão dessas medidas”, dizem a agência e a secretaria. De acordo com os dois órgãos, a paralisação de hoje não tem apoio do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região, nem da União Nacional dos Caminhoneiros.

A nota dos dois órgãos acrescenta que a cobrança do eixo suspenso já foi discutida com várias entidades que representam a categoria. “Há casos de reclamação, mas não representam a opinião da categoria. Essa cobrança já é feita nos pedágios das rodovias federais. A adoção da medida beneficiará toda a população ao integrar o pacote de ações para zerar o reajuste. É importante destacar que o uso do eixo suspenso provoca efeitos na frenagem e estabilidade do caminhão, afeta a estabilidade do veículo, tornando-o mais suscetível ao tombamento, reduz sua capacidade de frenagem e leva à insegurança”, diz a nota.