SP: protesto contra PEC 37 reúne 2 mil pessoas e bloqueia av. Paulista

Um protesto contra a Proposta de Emenda Constitucional 37/2011, a chamada PEC 37 - que acaba com o poder de investigação do Ministério Público -, bloqueou a avenida Paulista, em São Paulo, na tarde deste sábado. Cerca de duas mil pessoas se concentraram em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), fecharam a via e começaram a marchar por volta das 16h. O objetivo do grupo é caminhar até a sede do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), na rua Riachuelo, no centro da cidade.

O procurador de Justiça Felipe Locke Cavalcanti, presidente da Associação Paulista do Ministério Público (APMP), participou da manifestação. Para ele, "a PEC 37 é uma reação dos réus condenados no (julgamento do) mensalão ao Ministério Público". A proposta busca determinar que apenas as polícias civil e federal tenham permissão para conduzir investigações criminais.

"O nosso protesto é contra a PEC 37, que simboliza um atraso no setor de investigação", disse.  Locke afirmou que "precisamos de uma polícia melhor e corregedorias mais atuantes, mas o papel do Ministério Público é fundamental". "Não podemos deixar o controle das investigações nas mãos dos corruptos", disse ele.

O procurador da República Rodrigo de Grandis também participou da marcha. Ele comemorou o fato de que a PEC 37 tem sido alvo de vários protestos realizados pelo País nas últimas semanas. "O movimento transbordou no Ministério Público Federal. O povo está nas ruas, e isso é bom", disse.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País

Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.