Segundo Conselho Indigenista, 560 índios foram mortos nos últimos dez anos

Nos últimos dez anos, pelo menos 560 índios foram assassinados no Brasil. É o que diz um levantamento do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Igreja Católica.

Ainda de acordo com os dados, o Estado do Mato Grosso do Sul é o maior foco de tensão entre fazendeiros e indígenas e concentra 57% de assassinatos em todo o território nacional (319 de 564 de todos os casos registrados na última década). 

Com 77 mil índios, o Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indígena do País. A liderança do MS na violência contra índios existe desde 2005, e, no ano passado, 37 dos 61 assassinatos ocorreram no Estado. O balanço agrega casos de assassinato de conflitos entre índios, mas todos estão ligados à disputa por terra, informa o Cimi.

No último dia 30 de maio, o indígena identificado como Osiel foi baleado durante operação de reintegração de posse em uma fazenda em Sidrolândia (MS).

Na ocasião, 14 adultos e três adolescentes, todos índios, foram apreendidos durante a ação policial. Segundo a Superintendência da PF em Mato Grosso do Sul, também foram apreendidas três armas de fogo, facões, facas e arcos e flechas em posse dos índios. Inquérito foi instaurado para apurar se houve abuso dos policiais. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, prometeu rigor na apuração.

Confrontos desde 1928

Segundo a Funai, a disputa por terras, causa dos confrontos entre índios e fazendeiros, se arrasta desde pelo menos 1928, quando o antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI, órgão substituído pela Funai em 1967), criou uma reserva terena com 2.090 hectares (um hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, o equivalente a um campo de futebol oficial).

A área ao redor da reserva (criada ainda com a visão estratégica então em voga, de integrar os índios à sociedade não-índia) era cedida, legalmente, a colonos, na maioria vindos de outras regiões, estimulados pelos governos federal e estadual. 

Após 1988, quando a Constituição Federal assegurou aos povos indígenas direitos às terras tradicionalmente ocupadas por seus antepassados, os terenas passaram a reivindicar a ampliação da reserva. Responsável por elaborar os estudos de identificação das terras indígenas, a Funai, em 2001, concluiu que os terenas têm direito a uma área de 17 mil hectares. Área que engloba, entre outras propriedades, a Buriti.

Com Portal Terra