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RS: empresário diz que só dava leite produzido por ele para crianças

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Um dos sócios da empresa Aérea, Adelar Roque Signol, preso na manhã desta quarta-feira, na segunda fase da operação Leite Compen$ado, disse que só dava o leite produzido em sua propriedade para seus filhos. A empresa é suspeita de participar do esquema de adulteração do leite que era transportado para as indústrias com formol. 

“Eu só dava o leite que era produzido aqui, produzíamos cerca de 3 mil litros por mês”, disse o empresário. A empresa, segundo Signol, transportava cerca de 21 mil litros de leite mensalmente. Segundo o Ministério Público, 11 laudos comprovam que mais de 133 mil litros foram adulterados na empresa. 

Também foi preso na operação o irmão de Adelar, Antenor Pedro Signol, além do vereador da cidade de Horizontina, Larri Lauri Jappe (PDT), e Odirlei Fogalli, motorista de uma das empresas que fazia o transporte do produto. Também foi emitido um novo mandado de prisão contra o veterinário Daniel Villanova, que seria responsável pela compra de leite adulterado que era fornecido para uma cooperativa que enviava leite para o Estado do Paraná. Ele havia sido preso na primeira fase da operação.

Na transportadora, localizada em um propriedade rural de Rondinha, no norte do Rio Grande do Sul, foram encontradas notas fiscais que comprovam a compra de ao menos 50 quilos de ureia, componente que era usado para adulterar o leite.

A operação

A Operação Leite Compen$ado, deflagrada no dia 8 de maio pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) em parceria com o Ministério da Agricultura, descobriu a adição de substância semelhante à ureia para aumentar o volume de água no leite. Com o aumento do volume de água, o objetivo era tentar manter as características do leite, neste caso, a proteína.

Com o crime, transportadores lucravam 10% a mais do que os 7% já pagos sobre o preço do leite cru, em média R$ 0,95 por litro. O total de leite movimentado pelo grupo, no período de um ano, chega a 100 milhões de litros. Mais de 100 toneladas de ureia foram compradas pelos envolvidos para utilização na prática criminosa.

A operação desarticulou o esquema de adulteração de leite e identificou que cinco empresas de transporte de leite adicionavam ao produto cru, entregue à indústria, a substância que tem formol na composição e é considerada cancerígena pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A investigação mapeou que a fraude não estava sendo praticada pela indústria nem pelo produtor de leite, mas pelo transportador. 

Esse tipo de adulteração é considerada crime hediondo de corrupção de produtos alimentícios, previsto no Código Penal. Nove pessoas foram presas. Durante o cumprimento dos 13 mandados de busca e apreensão, foram recolhidos diversos caminhões utilizados no transporte do leite, cerca de 60 sacos de ureia, R$ 100 mil em dinheiro, uma régua com a fórmula utilizada para medir a mistura adicionada ao leite, revólveres e pistolas, soda cáustica, corantes, coagulantes líquidos e emulsão para obtenção de consistência, entre outros produtos e documentos. Até o momento, a Justiça aceitou a denúncia contra 13 envolvidos.