RS: à espera de reforço, incêndio já devastou 2 mil hectares de reserva

O incêndio de grandes proporções que atinge a Estação Ecológica do Taim, no sul do Rio Grande do Sul, desde terça-feira já devastou pelo menos 2 mil hectares, segundo estimativa do chefe da estação, Henrique Ilha. Nesta sexta-feira, duas aeronaves contratadas pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) para atuar no combate às chamas chegaram ao local, mas apenas uma delas entrou em operação no final da tarde.

A previsão inicial era que o reforço dos aviões, com capacidade de despejar 5 mil litros de água, fosse iniciado na manhã de ontem, mas a empresa baiana responsável pelo serviço acabou atrasando o envio dos veículos. "Acredito que o impacto do incêndio teria sido minimizado se tivéssemos recebido essas aeronaves com antecedência. (...) Recebemos uma série de explicações (para o atraso), chuva, burocracia. Mas depois vamos verificar o que houve", disse Henrique Ilha.

Segundo ele, uma das aeronaves, de porte maior, não pode sobrevoar hoje porque a pista de uma propriedade agrícola não apresentava condições adequadas para o pouso. Nesta noite, técnicos analisavam uma área na rodovia BR-471, que pode ser interditada por alguns períodos no sábado para o pouso dos aviões.

O trabalho de combate às chamas, que também é feito com barreiras pela terra, foi interrompido no fim do dia e será retomado nas primeiras horas da manhã de sábado.

A suspeita é que um raio tenha provocado o fogo na terça-feira, já que atingiu uma região de difícil acesso. "É um banhado com palha muito alta. Não temos acesso por barco, nem por carro", disse ontem o coordenador da reserva.

Abrangendo uma área de 11 mil hectares, o Taim é um grande viveiro natural de animais, como capivaras, ratões, jacarés, tartarugas, tachã e garça-vaqueira, entre outras, e vegetais, distribuídos em banhados, campos, lagoas, praias arenosas e dunas litorâneas. A região abriga diversos ecossistemas e possui alto valor ecológico para pesquisas e experimentos.