Dilma define saída de Passos do Ministério dos Transportes

Brasília - Na iminência de dar prosseguimento à reforma ministerial, iniciada há duas semanas, a presidente Dilma Rousseff decidiu tirar Paulo Sérgio Passos do comando do Ministério dos Transportes. Dilma está na África do Sul, onde participa de reunião de cúpula com líderes das principais economias emergentes do planeta, e retomará o assunto quanto voltar. Novas mudanças podem ser anunciadas na quinta-feira, quando está previsto seu retorno a Brasília.

Com perfil técnico, Passos tem o apoio de Dilma e vem se mantendo no cargo desde que o então ministro Alfredo Nascimento (PR-AM) caiu por denúncias de corrupção ainda no primeiro ano de mandato da presidente. Paulo Sérgio Passos, na época, era o número dois da pasta e, na prática, quem tinha conhecimento do setor de transportes. No desenho atual, ele iria para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Ao devolver o ministério a um nome de consenso no PR, a presidente levou em consideração a “redução de danos” no cenário atual. O Ministério dos Transportes foi desidratado e mudar seu comando não teria tanto efeito prático sobre a gestão da área logística, que é prioritária para Dilma.

O carro-chefe do governo no setor está com a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), sob comando de Bernardo Figueiredo, outro técnico “queridinho” da presidente. Projetos importantes que ainda estão no guarda-chuva do ministério estão sofrendo uma intervenção direta da ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Isso porque o Planejamento coordena o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do qual a maioria das obras de infraestrutura faz parte.

Se por um lado o custo da mudança em efeitos práticos é baixo, o resultado político em 2014 é importante. Retomar os laços com o PR, e o bloco de partidos de menor expressão com os quais é associado, garantirá mais tempo de televisão para a presidente durante a campanha e - o mais importante para interlocutores da Presidência - evita uma migração dessas legendas para a órbita de Eduardo Campos (PSB), pré-candidato que tem chances reais de ameaçar as pretensões da petista a um novo mandato.