Protesto pede a saída do prefeito de Santa Maria após inquérito da Kiss

Após o inquérito do incêndio na Boate Kiss apontar a responsabilidade do prefeito Cezar Schirmer (PMDB) na tragédia que matou 241 pessoas em janeiro, cerca de 200 manifestantes fizeram um protesto pedindo a saída do peemedebista na tarde desta segunda-feira, na praça Saldanha Marinho, no centro da cidade. Antes das 17h, quando o público ainda estava em menor número, um homem cortou o cabo de energia que alimentava as caixas de som da manifestação. Ele fugiu sem ser identificado.

Depois de um remendo feito no cabo, o protesto seguiu, com discursos inflamados que pediam o impeachment de Schirmer. Como o microfone era aberto para quem quisesse se manifestar, houve pessoas que fugiram um pouco do tema central do protesto, como um homem que lembrou que o prefeito "não deu aumento para os professores".

O protesto era apartidário, mas a manifestação não fazia restrições. Por isso, Tiago Vasconcelos Aires, que foi candidato a prefeito pelo Psol na última eleição, também se manifestou, fazendo um alerta à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que foi formada na Câmara de Vereadores só com membros da base aliada da administração Schirmer. "Essa CPI caminha para uma pizza. Cabe a nós garantir que isso não ocorra", disse Aires, conclamando as pessoas para fazer uma pressão popular.

Na mesma linha, Carine Corrêa, mãe de Tanise, 23 anos, que morreu na tragédia da Boate Kiss, também pediu que as pessoas façam pressão para que a CPI faça algo concreto. No microfone, ela convocou todos a estarem presentes na próxima reunião da comissão, na próxima quinta-feira.

Os manifestantes carregavam faixas, cartazes e apitos. Muitos também estavam com os rostos pintados, como Priscila Peixoto, diretora de projetos da organização não governamental (ONG) Para Sempre Cinderela, criada por familiares de vítimas para dar sequência a um trabalho que as jovens que morreram na tragédia faziam: ajudar a escola e creche Criança Feliz. "Queremos demonstrar que a prefeitura e o prefeito são responsáveis pelo que aconteceu, por omissão", comentou Priscila.

A manifestação, que durou cerca de duas horas, terminou com um protesto, aos gritos de "Fora Schirmer", em frente ao prédio da Sociedade União dos Caixeiros Viajantes (SUCV), sede do gabinete do prefeito. Dois caminhões da prefeitura foram estrategicamente colocados em frente à SUCV, atrapalhando a manifestação. Outro grupo fez uma caminhada até a frente da Boate Kiss, na rua dos Andradas, onde os manifestantes gritaram por justiça.