MP pede nova prisão de ex-chefe da UTI do Hospital Evangélico

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) protocolou, nesta segunda-feira, recurso à 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, contra a liberdade da médica Virgínia Soares de Souza, ex-chefe da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Geral do Hospital Evangélico de Curitiba, que responde por sete homicídios duplamente qualificados, acusada de provocar a morte de pacientes internados na UTI que chefiou nos últimos sete anos.

Virgínia ficou presa temporariamente durante 30 dias, desde 19 de fevereiro, mas teve a liberdade concedida pela Justiça na última quarta-feira, quando venceu a prisão temporária. A alegação do Ministério Público para que a médica volte para a prisão é que, em liberdade, ela poderia prejudicar as investigações, intimidando testemunhas. Segundo o MP, há, na investigação, depoimentos de funcionários que relataram não terem denunciado anteriormente o caso por temor da médica, a quem eram subordinados no hospital.

Ao determinar a liberdade da médica, a Justiça aplicou diversas medidas restritivas, como a manutenção do endereço e a impossibilidade de deixar a cidade, e proibiu, também, que ela se aproxime das testemunhas. Mas, para o Ministério Público, isso não é suficiente.  “Nós entendemos que ela deve responder presa pelos crimes, considerando o abalo da opinião pública, o clamor social, a gravidade do caso e pelo fato de ela ser a líder da quadrilha identificada nas investigações”, disse o promotor Paulo Lima, que atua no caso. “Durante o período em que ela esteve presa, as investigações foram enriquecidas com provas robustas. Para continuarmos avançando, a prisão dela é fundamental”, acrescentou, citando que o MP já pediu que a Polícia Civil apure outros 20 óbitos dentro da UTI Geral do hospital.