Campos se defende sobre Royalties:“É preciso mais diálogo"

Governador de PE criou proposta de redistribuição

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos(PSB), se defendeu nesta quinta-feira(14) das acusações de parlamentares cariocas de que estaria sendo “oportunista” com relação aos royalties do petróleo, que teve os vetos derrubados pelo Congresso Nacional na última semana.

O site da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro(Alerj), chamou o socialista de “irresponsável”, “radical”, e também deu a entender que o governador estava sendo movido por questões eleitorais, uma vez que Campos é um dos prováveis candidatos à Presidência da República.

“Esse é o problema de antecipar campanha política. Tudo que vai se discutir no Brasil vira debate eleitoral agora. Me parece que quem fala dessa forma dá razão à tese de que a gente, em 2013, tinha que cuidar de 2013”, frisou Campos, acrescentando que outros governadores de estados produtores, Espírito Santo e São Paulo, veem a questão de forma diferente. “Alguns estão entendendo que propor esse entendimento é algo positivo para o país. O Renato Casagrande e o Geraldo Alckmin já falaram de outra posição completamente diferente. É preciso mais conversa e diálogo”, avaliou o governador.

Campos foi autor de uma proposta envolvendo os estados não produtores  para redistribuição da renda dos royalties. O objetivo é evitar que a questão chegue ao Supremo Tribunal Federal.

“Os royalties são uma questão brasileira. Se acertarmos o marco regulatório do petróleo, podemos animar os investimentos num setor que é estratégico na retomada do crescimento econômico”, analisou o governador de Pernambuco, que falou um pouco sobre o clima das conversas envolvendo o assunto:  

“Ficamos muito perto do entendimento quando conversamos na Câmara. Pensamos: ‘Por que não chamar a União para fazer daí uma oportunidade para a União repor essa diferença? E mesmo que a  União não pudesse cobrir tudo, que entrasse com a metade os estados produtores e não-produtores, com a outra. Todos os estados chegariam a um entendimento e poderiam ter a antecipação desse fluxo”, ponderou o governador, lembrando ainda que esse tipo de operação já ocorreu antes com o Espírito Santo e o Rio de Janeiro. 

“Os estados teriam ainda novos recursos para investimento numa área que o Brasil precisa cuidar mais e mais que é a Educação”, finalizou Campos.

O governador de Pernambuco estava acompanhado de Beto Albuquerque, líder do PSB na Câmara dos Deputados, que não perdeu a oportunidade de devolver as ofensas dirigidas a Campos: “A ideia não é boa só quando é nossa, ideia boa também existe quando vem dos outros. Está faltando humildade de quem não propôs e não administrou esse problema”, disparou.  

Almoço

As declarações foram feitas após o almoço ocorrido na sede da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, no centro da cidade. O presidente da Confederação, Antônio Oliveira Santos, lembrou que os resultados da economia nos quatro anos de Eduardo Campos à frente do governo de Pernambuco são excelentes:

“O PIB de Pernambuco cresceu o dobro do PIB brasileiro nos últimos quatro anos. É um estado em que devemos nos espelhar”, apontou Santos, que, apesar de declarar que a entidade é “apolítica”, deu sinais de ver com bons olhos a candidatura de Campos à presidência da República. “Se for levado pela emoção, acabo falando demais. Mas este é um problema meu”, disse, entre risos dos presentes.

Eduardo Campos agradeceu as palavras de Santos e lembrou a importância do setor comercial na recuperação econômica de um país:

“2012 foi pior do que 2011, e 2011 foi pior do que 2010. O empresariado brasileiro, que também emprega 25 milhões de pessoas ajudou o país no duro ano de 2012, e tem sido a locomotiva do Brasil”, disse Campos, que deu ainda uma afagada na CNC. “Esta casa ajudou muito o país a superar adversidades, e tenho certeza que continuará ajudando na próxima quadra”, concluiu.

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