A família da menina Vitória Gabriele Cardoso da Silva, 1 ano e 4 meses, vive momentos alternados de tristeza e fé. A garota está internada desde o início da noite de domingo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Ourinhos, distante 375 km de São Paulo, após ser atropelada em frente da casa onde vive com os pais, no Jardim Matilde.
De acordo com o boletim médico divulgado pela médica que assiste a menina, o estado de saúde dela é muito grave. A mãe, Cristiane Aparecida Cardoso, conversou com a médica pela manhã e foi informada que o cérebro da filha não responde aos estímulos e que não há nada mais para fazer. "Mas ela me garantiu que não vai desligar os aparelhos que mantêm ela viva enquanto o coração da minha filhinha estiver batendo", contou a mãe.
Bastante abalado, o pai, Valdir Cardoso, disse que não teve coragem de entrar no quarto e ver a filha no estado em que ela se encontra. "Minha esposa é mais forte, ela está lá com ela, eu estou aqui rezando e pedindo pra Deus não nos abandonar", disse.
De acordo com a polícia, a garota brincava com outras crianças na calçada da casa dos pais, que fica na rua Chavantes, e foi atropelada quando tentou atravessar a rua sozinha. "Eu vi quando minha filha foi atropelada pelo carro. Ele (o motorista) não estava correndo, ele poderia ter desviado e até parado o carro, mas só Deus sabe por que ele continuou e atropelou minha filha", disse a mãe.
O condutor do carro fugiu logo após o acidente e ainda não foi identificado. Testemunhas anotaram a placa do veículo, mas uma das letras não bate, por isso, a dificuldade na identificação do condutor. O carro, um sedan de cor escura, pode ter sido flagrado por câmeras de segurança instaladas na rua onde aconteceu o acidente, e isso vai ajudar a polícia a identificar o condutor.
A mãe da garota participou de uma franca conversa com a médica no final da manhã desta segunda-feira e recebeu a informação da possível morte cerebral. "O cérebro dela está parado, mas o coração e todos os outros órgãos funcionam normalmente, por isso a gente acredita na recuperação da minha filha, os aparelhos não serão desligados", afirmou.
Cristiane contou ao Terra, pelo telefone, que ao tocar na mão da menina pela manhã, os batimentos cardíacos dela aumentaram, e isso foi acusado pelos aparelhos. "Era minha filha me dizendo para eu acreditar: 'mãe, eu não vou morrer, acredita, meu nome é Vitória'", falou Cristiane, com a voz embargada.