A Polícia Civil de Santa Maria cumpriu nesta quarta-feira sete mandados de busca nas casas de músicos e de pessoas ligadas à banda Gurizada Fandangueira, que se apresentava na Boate Kiss na noite em que um incêndio matou mais de 230 pessoas. De acordo com o delegado Marcelo Arigony, que comanda as investigações, cinco mandados foram cumpridos na cidade e outros dois em Rosário do Sul.
"Precisamos trazer mais elementos de prova para confirmar aquele panorama provatório que tivemos no início", disse Arigony. "O objetivo dos mandados foi o de apreender imagens, fotografias, enfim, fatos que vinculavam as apresentações da banda a shows pirotécnicos", completou o delegado Sandro Meinerz.
"Já temos provas, eles não negam isso (uso dos artefatos), mas o mandado é no sentido de buscar mais materialidade para essa versão que está sendo apresentada nos autos. Havia uso de show pirotécnico, eles confirmam, inclusive dizem que faziam isso na Boate Kiss em outros shows que realizavam lá geralmente", afirmou Meinerz.
De acordo com os delegados, cerca de 130 pessoas já foram ouvidas e o inquérito policial tem mais de 1,5 mil páginas, entre documentos e provas testemunhais. Nesta quarta-feira, a polícia ouviu 12 pessoas. Seis delas são bombeiros que trabalharam no local no dia da tragédia.
"No primeiro momento, estamos atentos à questão do local do fato. Ouvimos as pessoas que estavam lá dentro e agora passamos a ouvir as pessoas que estavam do lado de fora, inclusive os bombeiros. Queremos saber como foi a prestação de socorro, quantas pessoas saíram, porque saíram, quem foram as pessoas que ajudaram ali. No segundo momento, será a questão documental", explicou Meinerz.
Segundo Arigony, por enquanto os depoimentos dos bombeiros não revelaram nenhum fato novo. "Eles apenas retrataram o quadro que eles encontraram no local e o que eles tinham de recurso. Relataram a situação difícil que eles enfrentaram no dia. Os relatos estão todos neste sentido".
De acordo com o delegado, um dos sócios da boate, Elissandro Spohr, o Kiko, que foi levado para o Presídio Estadual de Santa Maria, não deve ser ouvido novamente nos próximos dias. "Ele já foi ouvido uma vez, no início do procedimento, antes de ser preso. E agora ele só será ouvido novamente quando houver necessidade, se houver acareação. O inquérito deve ser concluído em até 30 dias e, até o final, ele será ouvido novamente", afirmou.
A polícia ainda espera o resultado das perícias do Instituto Geral de Perícias (IGP) para concluir o processo. "Fizemos a solicitação de uma nova reconstituição ao IGP, mas a prioridade, agora, é a perícia de todos os objetos que foram enviados", disse Arigony.