Ministro da Saúde não confirma novas mortes na tragédia de Santa Maria

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, não confirmou que ocorreram novas mortes de vítimas do incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria (RS). "Ficamos a noite toda acompanhando os pacientes que estavam nos hospitais, para buscar vidas que podemos salvar ainda, e felizmente não tivemos novos óbitos", informou no início da manhã desta segunda-feira. 

O número de vítimas confirmadas até o momento é de 231 mortos. Segundo ele, 82 pessoas estão hospitalizados em Santa Maria e outras 39 foram removidos para hospitais de Porto Alegre, Canoas e Ijuí. Outros sete feridos deverão chegar em Porto Alegre ainda nesta manhã. 

"Queremos manter a possibilidade de termos leitos vagos de retaguarda aqui (em Santa Maria) porque pode haver uma evolução no quadro de alguns pacientes", explicou o ministro.  Padilha novamente fez o alerta quanto à possibilidade de pessoas que estiveram na tragédia sentirem sintomas e precisarem de atendimento. 

"O alerta que o Ministério da Saúde faz é que é muito comum um quadro de tosse, de pneumonite química, se desenvolver depois de um acidente como esse até um, dois, três dias depois. Temos que ter retaguarda de leitos aqui", ressaltou. Ao todo, mais de 300 pessoas foram atendidas em hospitais de Santa Maria devido ao incêndio. Além disso, a equipe de suporte psicológico e médico prestou atendimento a cerca de 200 pessoas no ginásio onde ocorreu o reconhecimento das vítimas.   

 

Incêndio na Boate Kiss 

Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada deste domingo em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo iniciou com um sinalizador lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária. 

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos.