Palmas só tem a ganhar comigo, diz colombiano eleito prefeito 

O empresário colombiano Carlos Amastha (PP), 51 anos, teve 49% da preferência do eleitorado de Palmas (TO) e venceu as eleições na mais nova capital brasileira. O empresário é dono de um patrimônio de R$ 18 milhões e é o quarto candidato a prefeito mais rico do Brasil. Natural da cidade de Barraquilha, norte da Colômbia e filho de um médico comunista, ele não se intimida com as críticas dos seus opositores e diz que a cidade só tem a ganhar com a sua eleição.

Em entrevista Terra, o novo prefeito disse que não tem mágoas com o governador do Estado, Siqueira Campos (PSDB), um dos críticos a sua eleição, e que garantiu que o relacionamento com o governo será o melhor possível. "O governador expressou uma opinião no final do pleito, achando que Palmas teria perdido com minha eleição. Respeito sua opinião e, pelo contrário, vejo isso como um desafio para mostrar de uma maneira positiva para ele que Palmas ganhou muito com minha eleição", afirma.

Segundo ele, não existe nenhuma restrição para que seu governo trabalhe em parceria com o Siqueira Campos. "Qualquer coisa que a gente fizer em conjunto será em benefício da nossa cidade".

O prefeito eleito de Palmas também afirmou que sua administração será democrática e com debate de ideias na elaboração dos projetos. Segundo ele, a prioridade de seu governo será resolver o problema da saúde pública municipal. "Muitas das estruturas que faltam estão em obras e nós iremos acelerar para que isso seja concluído, mas precisamos imediatamente agir na questão de gestão. Porque muito problema que estamos tendo é de gestão".

Ele disse que em sua administração irá colocar seriedade e respeito ao paciente, porém, não esclareceu que tipo de projeto seria feito. "Muitas coisas podem ser feitas com projeto e com o tempo, a saúde não pode esperar porque ninguém que está em uma fila para ser atendido tem o tempo que pode ter para esperar".

Questionado sobre seus planos para a segurança, o colombiano garantiu que ele e seu vice, Sargento Aragão, têm bons projetos. Entre as ações está previsto o programa "Guarda quarteirão", instalação de câmaras de vigilância e a prevenção de roubos e assaltos na cidade. “Tem muita coisa que já estamos discutindo e que vamos colocar porque não podemos perder a percepção de segurança que a gente ainda tem na cidade”.

Quanto à educação, Amastha disse que a educação integral foi uma experiência bem sucedida, implantada no governo de Raul Filho (PT), e destacou que nada que foi bem feito na administração dele será mudada pela sua gestão. “A questão da escola, a gente precisa ampliar a cobertura e dar um salto de qualidade. Nós não estamos bem avaliados no cenário do Tocantins ou da região norte, mas eu queria compartilhar com coisas ainda melhores".

Na moradia, o prefeito disse que não irá promover nenhum projeto que não seja digno para o cidadão. "Os casebres que estão construindo em áreas periféricas eu sou absolutamente contra e a gente vai ver o patrimônio imobiliário dos municípios, os bons terrenos que têm para fazer boa moradia, bons prédios, que tenha uma arquitetura que dê dignidade a quem habita nesses lugares. Isso não abro mão porque quero que cada palmense, na medida que realize seu sonho de moradia, faça de uma maneira definitiva em condições dignas".

No quesito geração de emprego e renda, ele disse que tem obrigação de oferecer emprego na iniciativa privada para que Palmas continue a crescer. Segundo o novo prefeito, vários convites já foram feitos a empresários de fora para investir na cidade. "E tenho certeza que vamos concretizar muito desse investimento porque o que o capital quer para aplicar seu recurso é um clima propicio, respeito ao investimento e regras claras. E isso Palmas vai ter de sobra durante a nossa administração".

Trajetória

Amastha chegou em 1999 ao Tocantins para trabalhar com educação à distância no Estado, tendo como sócio o ex-ministro da Saúde no governo Sarney, Borges da Silveira. Em 2007, deu início a construção de um shopping center na capital.

Disputando sua primeira eleição, o empresário contou que decidiu entrar na política para mudar de vida. Em Palmas, começou a se envolver na política quando se posicionou contrariamente à expansão do Plano Diretor da Capital em 2011, proposta defendida pelos vereadores.

O colombiano já foi filiado ao PSB, passou pelo PV e concorreu às eleições pelo PP. Na campanha defendeu uma política de centro-esquerda e assumiu e assumiu que não possuía o apoio de nenhuma grande liderança política no Tocantins.