PF planejou operação dentro da sala de Rosemary Noronha, diz jornal

Os bastidores da Operação Porto Seguro da Polícia Federal revelam que os agentes planejaram a execução da ação no gabinete de Rosemary Noronha, ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo e uma das investigadas no esquema de tráfico de influência. Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, três semanas antes da deflagração da operação, policiais federais estiveram na sede da Presidência. Sem levantar suspeitas, os agentes disseram que pretendiam discutir a onde de violência no Estado. Quem recebeu os delegados foi justamente Rose, como ela se apresentou. A agenda com os temas de segurança pública transcorreu normalmente. Mas os policiais usaram o encontro para levantar dados e programar a busca e apreensão.

A operação ainda era sigilosa mesmo dentro da PF. A partir dos dados levantados foram definidos qual dos quatro elevadores que servem do 3º ao 19º andar seria usado, como lidar com a segurança local e quais salas seriam vasculhadas em busca de computadores e papéis. Os policiais queriam conhecer o local para evitar um confronto com agentes do Gabinete de Segurança Institucional ou com seguranças do prédio do Banco do Brasil. Também queriam impedir escândalos ou discussões burocráticas na entrada no prédio, já que portariam um mandado judicial. No dia programado, a operação foi colocada em ação com sucesso.

Operação Porto Seguro

Deflagrada em 23 de novembro de 2012, a operação Porto Seguro, da Polícia Federal, investiga um esquema de favorecimento de interesses privados em processos públicos. As agências nacionais de Transportes Aquaviários (Antaq), de Águas (ANA), e de Aviação Civil (Anac), a Advocacia-Geral da União (AGU), a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), o Tribunal de Contas da União (TCU), a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e o Ministério da Educação (MEC) estão entre os órgãos envolvidos na operação.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas cidades de Cruzeiro (SP), Dracena (SP), Santos (SP), São Paulo e Brasília. Dezoito pessoas foram indiciadas suspeitas de participação no esquema, entre elas a chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, Rosemary Novoa de Noronha, e o advogado-geral adjunto da União, José Weber de Holanda Alves.

As investigações apontam que os acusados cometeram crimes de corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, falsidade ideológica, falsificação de documento particular, violação de sigilo funcional e formação de quadrilha. A presidente Dilma Rousseff determinou a exoneração ou afastamento de todos os servidores envolvidos.