São Paulo - O major do Corpo de Bombeiros Marcelo Cesar Carnevale informou na manhã desta segunda-feira que foi constatado um colapso estrutural no viaduto Engenheiro Orlando Murgel, em Campos Elísios, região central de São Paulo. A via fica sobre a favela do Moinho, que pegou fogo por volta das 7h de hoje, deixando uma pessoa morta. "O viaduto sofreu um colapso estrutural. Eu vi ferros aparentes e alguns escombros. Agora, os engenheiros da prefeitura vão analisar o que será feito", disse.
Por volta das 11h, dois engenheiros da prefeitura trabalhavam no local. Segundo um deles, não é possível afirmar o quanto a estrutura foi danificada. Um laudo conclusivo será elaborado pela equipe técnica da prefeitura de São Paulo.
Segundo o major dos bombeiros, o tempo seco e as condições precárias da favela ajudaram o fogo a se propagar. Foram usadas 18 viaturas e 71 homens para controlar as chamas. "É fundamental destacar que o Previn (Programa de Prevenção contra Incêndio em Assentamentos Precários) e o hidrante instalado dentro da favela foram fundamentais para o primeiro combate", destacou o oficial.
De acordo com a corporação, uma área de 2 mil m² foi atingida pelas chamas e a primeira estimativa é de que tenham sido danificados entre 40 e 60 barracos. De acordo com o major, a grande quantidade de madeira, papéis e produtos recicláveis potencializou o incêndio, que foi controlado em pouco menos de duas horas.
Interdição do viaduto
Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), viaturas interditaram o viaduto que fica sobre a favela. A SPTrans informou que o incêndio afetou a circulação de 17 linhas que utilizam o trecho e, de acordo com a empresa, os coletivos passaram a usar desvios para poder atender aos passageiros. No sentido centro, os ônibus seguiam o trajeto normal até a ponte da Casa Verde, onde desviavam pela Marginal Tietê, seguindo pelas ruas Anhaia, Silva Pinto e Alameda Nothmann, até retornarem para avenida Rio Branco.
No sentido bairro, de acordo com a SPTrans, os veículos seguiam pela avenida Duque de Caxias, rua Mauá, viaduto General Couto de Magalhães, rua José Paulino, rua Silva Pinto, rua dos Italianos, rua Sérgio Tomás, até retornarem para a avenida Rudge.
Por volta das 10h, a cidade registrou 115 km de lentidão nas principais ruas e avenidas. De acordo com a CET, o pior trecho estava na pista local da marginal Tietê, no sentido Castello Branco, que registrava 10,5 km de congestionamento entre o Hospital Vila Maria e a Ponte Júlio de Mesquita Neto.
Em dezembro do ano passado, a mesma favela foi atingida por um incêndio de grandes proporções, que deixou uma pessoa morta. Este é o 34º incêndio de grandes proporções registrado em favelas da capital paulista desde janeiro deste ano, o 68º contabilizado pelos bombeiros. Em 2008, o Corpo de Bombeiros registrou 130 ocorrências e, em 2009, 122. Já no ano de 2010, 91 incêndios foram combatidos, enquanto, em 2011, houve 79 casos registrados.