O novo secretário-geral da Cruz Vermelha Brasileira disse, ao Jornal do Brasil, que atual direção ainda procura solução para o rombo provocado pela grave crise que assola a entidade, que parece estar longe do fim. Depois da troca da direção do Órgão Central, provocado por denúncias de desvio de recursos, o novo secretário-geral, coronel Paulo Roberto Costa e Silva, empossado no último dia 11, afirma que a dívida de uma das maiores instituições filantrópicas pode chegar a R$ 50 milhões. O órgão também corre o risco de ser descredenciado e extinto no Brasil.
Segundo Costa e Silva, a dívida (passivo) culminou na penhora do prédio-sede, na Praça da Cruz Vermelha, no Centro do Rio, e no bloqueio de todas as contas bancárias da entidade. O número de ações trabalhistas pode chegar a 150, segundo o novo secretário-geral.
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Do montante de R$ 50 milhões de dívidas, pelo menos R$ 4 milhões são devidos à Cruz Vermelha Internacional. Isso porque a partir da abertura da Cruz Vermelha do Brasil, em 1902, firmou-se a obrigação - como acontece com as demais filiais pelo mundo - de um pagamento anual. A anuidade do Brasil, no entanto, não é paga desde 1992.
Ainda de acordo com Costa e Silva, não há uma explicação porque o repasse do Brasil não é feito há 20 anos. Segundo o coronel do Exército, que ainda está se ambientando na nova função, a Cruz Vermelha Internacional já informou que quer uma solução dos problemas no Brasil.
"O pessoal da internacional já disse que se não resolvermos o problema da Cruz Vermelha brasileira ela será descredenciada e fechada. Não sei por que não pagaram a anuidade à Cruz Vermelha internacional nos últimos anos. Hoje em dia a instituição está falida. Mas não foi assim durante os últimos 20 anos", destacou. "Corremos o risco de um constrangimento internacional muito grande. Não poderíamos ter chegado a este ponto".
Questionado sobre a atual fonte de recursos para a entidade, Costa e Silva não soube informar quanto a instituição arrecada mensal ou anualmente. Ele informou apenas que a principal fonte de renda são cursos e prestação de serviços na área de saúde e doações de pessoas físicas e jurídicas. Desde 2000, a Cruz Vermelha não recebe mais um percentual da Loteria Federal.
Na segunda-feira (17), o novo presidente da Cruz Vermelha, Nício Lacorte, desembarca no Rio. Ele é o novo presidente da entidade desde o último dia 11 e vai, a partir de segunda, se inteirar sobre o rombo da entidade e possíveis soluções para remediá-lo.