Maníaco de Contagem é condenado a mais 36 anos de prisão 

O Conselho de Sentença da comarca de Nova Lima (MG) condenou nesta terça-feira o réu Marcos Antunes Trigueiro, conhecido como Maníaco de Contagem, a 36 anos e 9 meses de reclusão em regime fechado pela morte de Edna Cordeiro de Oliveira Freitas, violentada e morta em 2009, aos 35 anos. Trigueiro é acusado de uma série de estupros e assassinatos de mulheres na região metropolitana de Belo Horizonte.

De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, o julgamento durou seis horas e foi feito por sete jurados. O Conselho de Sentença entendeu que o réu cometeu os crimes de homicídio triplamente qualificado, estupro e furto simples. Foram fixados 23 anos e 11 meses de reclusão pelo estupro, 9 anos e 11 meses pela asfixia e 2 anos e 11 meses pelo roubo do celular da vítima. Trigueiro não poderá recorrer em liberdade.

O crime ocorreu no dia 12 de novembro de 2009, próximo à entrada do condomínio Retiro das Pedras, em Nova Lima. De acordo com o juiz Juarez Morais de Azevedo, que proferiu a sentença, o réu possui personalidade voltada para a prática criminosa e ameaça o convívio social.

Trigueiro já foi condenado a 62 anos de prisão por outros dois crimes sexuais com homicídios e furtos. Na época do crime, o delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP), classificou Trigueiro como um homem "frio, calculista e muito inteligente, mas de louco não tem nada. O laudo feito pelos psiquiatras do Instituto de Criminalística mostra isso", afirmou. "Ele é um criminoso que abordava as vítimas armado e, depois de estuprá-las, matava", disse.

Trigueiro ainda é suspeito de matar e estuprar Adina Feitor Porto, 34 anos, e Natália Cristina de Almeida Paiva, 27 anos, no ano de 2009. Os julgamentos destes casos ainda não foram marcados.

Crimes em série

Em junho de 2010, Marcos Antunes Trigueiro foi condenado a 34 anos e quatro meses de reclusão e sete meses de detenção por homicídio qualificado, estupro, furto e por expor a vida de uma criança a perigo iminente.

De acordo com a denúncia, o réu teria abordado a empresária Ana Carolina Menezes seu veículo no bairro Industrial, simulou um assalto e a obrigou a dirigir até o bairro Califórnia. Após manter relações sexuais com ela, na frente do filho, na época com 1 ano, ele a estrangulou com o cinto de segurança, o que ocasionou a morte por asfixia. A empresária teve o corpo abandonado em um campo de futebol. Trigueiro ainda deixou a criança sobre a mãe e levou seu celular.

No dia 30 de setembro de 2010 veio a segunda condenação, dessa vez pela morte de Helena Gomes Aguiar, assassinada em setembro de 2009. Trigueiro foi condenado a 28 anos de reclusão pelo crime de estupro e homicídio triplamente qualificado e furto.

Outras duas mulheres foram alvos de Trigueiro, mas o exame de DNA não pôde ser feito porque os corpos foram encontrados em avançado estado de decomposição e não houve a possibilidade de se coletar material genético nas vítimas.

A comerciante Adina Feitor Porto, 34 anos, foi encontrada morta em uma mata de Sarzedo, na região metropolitana de Belo Horizonte. O carro dela foi localizado abandonado na mata das Abóboras, em Contagem.

Já a estudante de Direito Natália Cristina de Almeida de Paiva, 27 anos, sumiu em outubro de 2009. O carro que ela dirigia foi encontrado com marcas de batida no Barreiro, próximo ao bairro Industrial e a ossada localizada na mata do bairro Belvedere 2, em Ribeirão das Neves.

Por uma falha de comunicação entre o IML e a Delegacia de Ribeirão das Neves, Natália foi enterrada como indigente e só identificada após a exumação dos restos mortais, quatro meses depois da localização da ossada.

As duas famílias, de Adina e Natália, foram informadas pela polícia de que elas também foram vítimas do suspeito. Todas as vítimas são mulheres maduras, independentes financeiramente e foram abordadas quando voltavam para casa de carro próprio. Elas ainda têm feições parecidas (morenas claras, cabelos negros abaixo do ombro) e carreira profissional definida: três comerciantes, uma contadora e uma estudante de direito.