Discussão no Tribunal de Contas de Alagoas vira caso de polícia 

A cobrança de informações no Tribunal de Contas (TC) de Alagoas virou caso de polícia na manhã desta quarta-feira. O conselheiro do TC, Anselmo Brito, e o chefe do Gabinete Militar do tribunal, coronel Neilson Souza Lima, tiveram de ser contidos por um outro militar na porta de entrada do tribunal durante uma discussão que quase acabou em briga.

O conselheiro registrou boletim de ocorrência na delegacia e comunicou o caso ao secretário de Defesa Social, coronel Dário César. Na versão dele, a briga aconteceu por cobrança de informações sobre os militares que vão entrar na reserva remunerada. Os ofícios nunca eram respondidos. Até que Anselmo Brito encontrou com o coronel na entrada do TC.

"Nós nos cruzamos na escada e eu perguntei a ele (Neilson) quando ele me responderia sobre uma questão que havia solicitado. Ele, então, me disse que não daria a informação sem antes informar ao presidente do Tribunal de Contas. Ele estava armado e um militar interviu, eu não estava armado, não ando armado nem tenho segurança. Não sei se teria ocorrido algo se o policial não tivesse chegado na hora", disse.

"Temo pela minha vida. É inconcebível alguém ser tão descortês com um conselheiro e isso só ter acabado com a interveniência de uma outra autoridade de alta patente. Eu não ando armado, apesar da prerrogativa do cargo. Não quero", disse Brito.

Anselmo Brito é o único conselheiro concursado e indicado ao cargo sem vínculo político em mais de 40 anos de existência do tribunal. Ele é natural do Maranhão.

E o histórico de cobranças do conselheiro é antigo. Nas sessões do Tribunal de Contas de Alagoas - uma das cortes mais "fechadas" do Estado - ele cobra transparência nas ações e salários pagos a funcionários. Em uma das vezes, a insistência foi tanta que o presidente do TC, conselheiro Luiz Eustáquio, abandonou a sessão.

No ano passado, a Polícia Federal descobriu um rombo de R$ 100 milhões na folha de pagamento do TC, por fraudes no INSS, onde um conselheiro é citado. O dinheiro foi lavado na compra de cavalos e uma academia de luxo, na orla de Maceió. Os funcionários presos na operação continuam a exercer as atividades no Tribunal.

"O que me deixa preocupado é que se um conselheiro não tem condições de receber informações deste tipo, quem terá?", pergunta. Brito recebeu a solidariedade de todos os conselheiros, auditores do TC e do secretário de Defesa Social.

"Não vou deixar de cobrar. Esta ação virou o combustível necessário para que eu continue a agir", explicou. O coronel e o Tribunal de Contas só se pronunciam nesta quinta-feira sobre o episódio.