Mensalão: Oitavo dia começou com defesa rápida do ex-deputado Bispo Rodriges

O oitavo dia do julgamento da ação penal do mensalão no Supremo Tribunal Federal começou nesta segunda-feira com a defesa do ex-deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ), acusado de ter recebido R$ 150 mil do esquema criminoso (corrupção passiva) e de lavagem de dinheiro.

Mas o seu advogado, Bruno Mascarenhas Braga, procurou mostrar que o ex-parlamentar — que renunciou ao mandato em 2005, para evitar a provável perda dos direitos políticos — jamais negou ter recebido a quantia, que não era proveniente do chamado valerioduto, mas sim do Partido do Trabalhadores (PT), para saldar dívidas da campanha presidencial de 2002.

O advogado começou por dizer — numa sustentação de meia hora -que o réu não deveria ser chamado de “Bispo Rodrigues” no julgamento, por que “não exerce mais nenhuma atividade parlamentar nem religiosa”. E leu trechos das alegações finais do procurador-geral da República, que “se limitou” a lhe dedicar duas das 390 páginas da peça acusatória final.

Das alegações finais do Ministério Público, consta que Bispo Rodrigues se beneficiou dos R$ 150 mil que, “de acordo com as provas colhidas, era dinheiro do esquema comandado por José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, tendo recebido vantagem indevida em troca de votos no Congresso Nacional”. E que, para receber o dinheiro, “o acusado valeu-se da intermediação de Célio Marcos Siqueira, motorista do Deputado Federal Vanderval Lima dos Santos, filiado ao Partido Liberal em São Paulo”.

O advogado do ex-parlamentar do extinto PL (hoje PR) ressaltou ainda, mais de uma vez, que não há nos autos nenhum “ato de ofício” a demonstrar que existiu “nexo de causalidade” entre o dinheiro recebido do PT e qualquer votação de Bispo Rodrigues a favor do governo na Câmara. Até por que o PL tinha apoiado a eleição do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, e o partido continuou a apoiá-lo, no exercício da Presidência, nas principais votações lá ocorridas no Congresso.